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Sábado, 26 de Março de 2011
Ouvidoria do Pico Homenageou D. Arquimínio Rodrigues da Costa Na Celebração do 35º Aniversário da sua Ordenação Episcopal

Ontem, dia 25 de Março, a Ouvidoria do Pico e a Paróquia de São Mateus, homenageou Sua Excelência Reverendíssima, D. Arquimínio Rodrigues da costa, Bispo Emérito de Macau e último bispo português daquela diocese do oriente, na celebração dos 35 anos da sua Ordenação Episcopal, numa Eucaristia de acção de graças celebrada no Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso,em São Mateusdo Pico, sua terra natal e onde reside desde a sua resignação como Bispo de Macau.

Na Eucaristia presidida pelo Venerando Prelado, concelebraram vários sacerdotes da ilha, assim como imensos fiéis que se quiseram associar a esta homenagem, destacando-se a Capela, a Irmandade do Santíssimo Sacramento e o agrupamento de Escuteiros da Comunidade Paroquial de São Mateus.

Durante a homilia Sua Excelência Reverendíssima partilhou com toda a assembleia um pouco dos seus 35 anos de serviço episcopal, recebendo dos presentes uma calorosa salva de palmas em jeito de reconhecimento pelo seu serviço episcopal.

No final da celebração o Ouvidor Eclesiástico do Pico, Pe. Marco Martinho, saudou o Prelado em nome do Clero, da Ouvidoria e da Paróquia de São Mateus, destacando o exemplo de humildade, dedicação, disponibilidade e serviço que D. Arquimínio sempre tem demonstrado.

Ao terminar foram entregues ao homenageado vários ramos de flores, expressão de júbilo e de reconhecimento da Paróquia, Capela e Agrupamento de Escuteiros.

 

 

Homilia de Sua Excelência Reverendíssima

D. Arquimínio Rodrigues da Costa

 

No 35° aniversário da minha Ordenação Episcopal

 

 

Irmãos e amigos:

As minhas primeiras palavras são de agradecimento aos Reverendos Sacerdotes aqui presentes, sobretudo ao Reverendo Ouvidor do Pico, pela amabilidade de se associarem a esta Eucaristia de acção de graças, com a qual desejo manifestar a minha gratidão a Deus Nosso Senhor e à Virgem Maria por todas as graças que me foram concedidas durante estes últimos 35 anos de serviço.

Os meus agradecimentos vão também para todos os fiéis que se dignaram participar nesta Eucaristia

Como é sabido, a minha ordenação episcopal realizou-se há 35 anos em Macau, onde eu me encontrava desde o dia 8 de Dezembro de 1938.

Durante os últimos 150 anos, nenhum dos meus antecessores foi ordenadoem Macau. Porisso, a opinião geral era que a minha ordenação episcopal se devia realizar naquela cidade. Assim, tive de renunciar à alegria de ter junto de mim, naquela data, a minha família, que, em virtude da enorme distância que nos separava, não podia estar presente. Apenas minha irmã Maria Clemense da Costa, Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição, pode deslocar-se a Macau naquela altura.

Quanto aos sentimentos que então me dominavam, o menos que se pode dizer é que eu me sentia profundamente abalado. Como Vigário Capitular, já tinha experimentado, durante três anos, o que significava estar à frente da diocese de Macau. Quer se acredite quer não, a verdade é que, em virtude da minha maneira de ser, aquela missão equivalia para mim, naquela altura, à maior cruz que me podia ser posta aos ombros.

Aceitei a nova missão por um imperativo de consciência, porque, se recusasse, não ficaria em paz comigo mesmo, resistindo à vontade de Deus, tão claramente manifestada através da Santa Sé.

Depois de ter permanecido, durante 15 anos, à frente daquela diocese, incluindo três anos como Vigário Capitular, entendi ter chegado a hora de Macau ter, finalmente, o seu primeiro Bispo chinês. De facto, durante mais de quatro séculos, os Bispos de Macau tinham sido sempre portugueses, apesar de cerca de 95% da população ser de etnia chinesa. Além disso, quase todas as dioceses do Extremo Oriente já eram dirigidas, naquela altura, por Bispos autóctones.

Lembro-me de um Bispo africano me ter perguntado quando é que Macau teria um Bispo chinês. Respondi que isso não dependia de mim, mas unicamente da Santa Sé. Da minha parte, eu estava disposto a renunciar em qualquer altura.

Nas reuniões da Conferência Episcopal do Extremo Oriente, eu sentia-me deslocado por ser o único europeu entre Bispos asiáticos.

Como é sabido, a Santa Sé quase nunca toma a iniciativa de sugerir a um Bispo a sua resignação. Portanto, no caso de Macau, ou eu tomava a iniciativa de renunciar ou então a situação prolongar-se-ia sabe Deus até quando... Naquele tempo, a Santa Sé, como regra, só nomeava para as terras de missão Bispos autóctones. Macau era um caso à parte, que, em virtude da Concordata, saía fora da linha de orientação da Cúria Romana. E a prova está no facto de um Cardeal da Cúria Romana se ter deslocado, naquela altura, a Macau para obter informações, em primeira mão, acerca de quem devia ser o próximo Bispo daquela diocese.

Para facilitar à Santa Sé a mudança que se impunha, apresentei a minha resignação, que foi aceite.

O primeiro passo foi a nomeação, para Macau, dum Bispo auxiliar chinês com direito de sucessão. A Santa Sé fez-me saber que, depois de eu ter um Bispo auxiliar, dependeria de mim continuar à frente da diocese ou renunciar. Mantive-me ainda durante algum tempo no meu posto, a fim de dar tempo ao meu sucessor para ele se familiarizar com os problemas da diocese.

Finalmente, depois de 50 anos de actividade em Macau, regressei à minha terra natal.

Nos anos que se seguiram, colaborei, dentro das minhas limitadas possibilidades, não só com os sacerdotes do Pico mas também com os de outras ilhas dos Açores e até com o Bispo diocesano, sempre que ele me convidava a administrar o sacramento da Confirmação. Mas, nos últimos tempos, comecei a sentir que, em virtude da minha idade, já não servia para servir.

Irmãos e amigos, renovo os meus agradecimentos aos Reverendos Sacerdotes aqui presentes, sobretudo ao Reverendo Ouvidor do Pico, a quem devo a amabilidade de ter promovido esta Eucaristia de acção de graças.

A todos muito e muito obrigado!

Seja louvado N. S. J. C.!

 

+ Arquimínio, Bispo Emérito de Macau

 

 

Algumas imagens da Celebração

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por magdala às 16:55
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1 comentário:
De emcontratempo a 29 de Março de 2011 às 15:28
Bendito o que vem em nome do Senhor!
O Pico deve honrar mais este filho e figura notável na transmissão da Fé que professamos.
Bem haja.


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