O PENSAR, SENTIR E VIVER MADALENENSE. UM ESPAÇO DE PARTILHA E DIÁLOGO QUE MARCA PELA DIFERENÇA E QUALIDADE
Terça-feira, 24 de Maio de 2011
D. António, Bispo de Angra endereça MENSAGEM AO POVO DE DEUS

MENSAGEM AO POVO DE DEUS


O Conselho Presbiteral da Diocese esteve reunido de 17 a 19 de Maio p.p. O tema do encontro foi a “Pastoral Social Hoje”. Desejo partilhar convosco a reflexão feita sobre a actual situação de crise, à luz da Doutrina Social da Igreja, que nos interpela no sentido de fortalecermos a acção sócio-caritativa da Igreja.


A «Civilização do Amor»


O Serviço da Caridade faz parte essencial da missão evangelizadora da Igreja. Sempre a Igreja, desde os primórdios, se empenhou no acção sócio-caritativa. É significativo que, ao lado do Colégio Apostólico, o primeiro organismo criado pela Igreja nascente tenha sido o Diaconado, que assumiu precisamente o Serviço das Mesas.

Na acção pastoral da Igreja, o Serviço da Caridade  é tão importante como a Catequese e a Liturgia. «A Igreja não pode descurar o Serviço da Caridade, tal como não pode negligenciar os Sacramentos, nem a Palavra» (Bento XVI, Deus Caritas Est=DCE 22).

E o Santo Padre explicita, afirmando que a acção sócio- caritativa da Igreja é opus proprium: «um dever que lhe é congénito, no qual ela não se limita a colaborar colateralmente, mas actua como sujeito directamente responsável, realizando o que corresponde à sua natureza. A Igreja não poderá ser dispensada da prática da caridade, enquanto actividade organizada dos fiéis» (DCE 29).  

A Igreja deve ser sinal e instrumento do Reino de Deus: Reino de Justiça, de Amor e de Paz. Aquela «Civilização do Amor», em que deve haver lugar para todos no banquete da vida. «A sociedade cada vez mais  globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos» - adverte o Papa (Bento XVI, Caritas in Veritate=CV , 2009, 19). O Espírito Santo – o Amor em Pessoa – é que torna possível a fraternidade universal. Sem o que não é possível o desenvolvimento de «todos os homens e do homem todo».


«Um coração que vê»


O momento actual de crise mostra, ainda com maior acuidade, a necessidade de reforçar e organizar o Serviço da Caridade, a todos os níveis. Para dar, antes de mais, uma resposta imediata e adequada às situações de emergência social. Como explica o Papa Bento XVI, «segundo o modelo oferecido pelo Bom Samaritano, a caridade cristã é simplesmente, em primeiro lugar, a resposta àquilo que, numa determinada situação, constitui a necessidade imediata» (DCE 31).

Temos de ser como o Bom Samaritano: “um coração que vê”, capaz de “compaixão”, envolvendo-se na situação, para a solução dos problemas. Assim, cada comunidade deve procurar cuidar dos seus pobres. Em cada Paróquia - ou então a nível inter-paroquial (Zona/Ouvidoria) - tem de haver um grupo minimamente organizado para o Serviço da Caridade. Valorizando a vizinhança e a proximidade. Abrindo-se a “parcerias” e a um trabalho em “rede”.

Evidentemente, não podemos ficar na simples assistência. Esta deve ser integrada pela promoção da pessoa humana e do desenvolvimento local. Intervindo na sociedade, qual fermento que leveda a massa, segundo os princípios e os valores da Doutrina Social da Igreja, que preconizam um novo modelo de desenvolvimento. E, portanto, uma mudança de atitudes e de comportamentos, a nível da vida pessoal, familiar e comunitária.


Sobriedade


Entre outras sugestões, o Conselho Presbiteral aponta a necessidade imperiosa de se promover um estilo de vida mais sóbrio. Não se pode viver acima das nossas possibilidades. É preciso poupar… E voltar à terra…

Urge a revisão de gastos, na administração e nas festas religiosas. Os “Impérios do Espírito Santo” podem ajudar a reavivar o espírito e a prática da partilha.


Partilha


A partilha efectiva de bens é a prova definitiva da autenticidade da caridade. Mas não podemos pedir partilha, no seio da sociedade, se na comunidade eclesial não há sinais concretos de entreajuda. Por exemplo, não podemos esquecer que há várias paróquias no Pico e no Faial, que ainda estão empenhadas no restauro das suas igrejas, danificadas pelo sismo de 1998. Aquelas que já realizaram as obras de reabilitação dos imóveis encontram grandes dificuldades em honrar o compromisso do pagamento da prestação trimestral do empréstimo bancário.

Por isso, peço que o ofertório das Missas do fim-de-semana de 9-10 de Julho p.f., aniversário do sismo de 1998, seja destinado, desta vez, à Ouvidoria da Horta para ajudar a Paróquia da  Feteira.


Justiça


Há quem critique a Igreja, no sentido de promover obras de caridade, em vez de lutar pela justiça. O certo é que para a Igreja a verdadeira caridade implica sempre a justiça. Como também é verdade que sem caridade não pode haver justiça autêntica.

Como explica o Santo Padre, «a caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é “meu”; mas nunca existe sem a justiça… Não posso dar ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que lhe compete por justiça» (CV 6).


Gratuidade


Facilmente separamos a gratuidade da actividade económica. «Se no passado, era possível pensar que havia necessidade primeiro de procurar a justiça e que a gratuidade intervinha depois como complemento, hoje é preciso afirmar que, sem gratuidade não se consegue sequer realizar a justiça… Na época da globalização, a actividade económica não pode prescindir da gratuidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justiça e o bem comum…» (CV 38).

«O grande desafio que temos diante de nós… é mostrar, a nível de pensamento, como de comportamentos,  que não podem ser transcurados ou atenuados os princípios tradicionais da ética social (…), mas também que, nas relações comerciais, o princípio da gratuidade e a lógica do dom – como expressão de fraternidade – podem e devem encontrar lugar dentro da actividade económica normal. Isto é uma exigência do ser humano, no tempo actual, como também da própria razão económica» (CV 36).


Opção preferencial pelos pobres


«A Igreja está consciente, hoje mais do que nunca, de que a sua mensagem social encontrará credibilidade primeiro no testemunho das obras… Desta convicção provém também a sua opção preferencial pelos pobres, que nunca será exclusiva, nem discriminatória, relativamente aos outros grupos… O amor da Igreja pelos pobres, que é decisivo e pertence à sua constante tradição, impele-a a dirigir-se ao mundo no qual, apesar do progresso técnico-económico, a pobreza ameaça assumir formas gigantescas» (João Paulo II, Centesimus Annus, 1991, 57).

É clara e corajosa a opção da Igreja em Portugal, quando os nossos Bispos afirmam: «Não pode a Igreja pretender agir de outra forma, pensar de outra maneira: como Cristo será uma Igreja pobre – “despojada” – mais segura da presença operativa do Espírito do que dos bens materiais; e, como o Espírito actuante em Jesus será uma Igreja com os pobres» (CEP, A Acção Social da Igreja, 1997, 9).


Cidadania activa


Porque acreditamos que Jesus veio regenerar o ser humano e reunir numa só família os povos dispersos, olhamos o futuro com esperança, que nos empenha no presente, como cidadãos esclarecidos e comprometidos. Isso deve-se ver, no próximo acto eleitoral. Sem esgotar a possível intervenção cívica, é um momento importante, até mesmo pela situação de crise, em que nos encontramos.

Os Bispos portugueses «exortam os eleitores a que não se abstenham, mas participem, responsável e livremente». Trata-se de escolher aqueles, que irão conduzir os destinos do País, neste momento de dificuldade. «Importa conhecer os seus programas e verificar a atenção que prestam aos mais carenciados económica e socialmente. As opções éticas daqueles que pedem o nosso voto devem contar na hora da votação» (CEP, Comunicado Final, 2011, 4).


O “Império do Espírito Santo»


A Igreja, como sabemos, não nos fornece soluções técnicas para a crise. Na sua doutrina social, proporciona-nos princípios, critérios e directrizes para a acção. Mais: pela sua mediação sacramental, mediadora da graça, pelo poder do Espírito Santo, abre-nos o caminho da libertação humana e da conversão evangélica, que tornam possível o amor solidário e gratuito, que tem a sua fonte em Deus.

«Deus Caritas Est: Deus é Amor» – diz-nos S. João. E o amor em Deus Trino é o Espírito Santo. Só podemos amar de verdade, com o mesmo amor de Deus, derramado nos nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi dado (cf. Rm 5, 5); quer dizer, na medida em que vivermos sob o “Império do Espírito Santo”.


Realiza-se hoje, em Lisboa, a cerimónia da beatificação da Ir. Maria Clara do Menino Jesus, Fundadora das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. Em ambiente deprimido socialmente e adverso à religião, a Ir. Maria Clara foi, de algum modo, pioneira da acção sócio-caritativa da Igreja no século XIX. Enriqueceu a Igreja com o carisma da hospitalidade samaritana, de que os Açores também beneficiam, desde longa data. 

«Onde houver o bem a fazer que se faça»! Foi o seu lema, bem actual hoje. Neste mundo conturbado e, por vezes indiferente e sem rumo, a “Mãe Clara” é modelo do cristão empenhado no social:  “lucerna ardente”, que “ilumina e aquece”. Pelo fogo do Espírito Santo.


 

+ António, Bispo de Angra

 

Lisboa, 21 de Maio de 2011.



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Sábado, 21 de Maio de 2011
A Portuguesa Irmã Maria Clara do Menino Jesus é Hoje Beatificada

Beata Maria Clara do Menino Jesus

Discípula em Missão

 

«Maria Clara, um rosto de ternura

e da misericórdia de Deus»

 

 

 

Uma obra que continua…

 

No próximo dia 21 de Maio deste ano da graça de 2011, a Igreja que vive em Portugal terá a alegria de ver mais um dos seus filhos subir às honras dos altares. Trata-se da beatificação da Irmã Maria Clara do Menino Jesus, fundadora da congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Em vista desta celebração da beatificação, anunciada pelo Vaticano a 10 de Dezembro de 2010, com o reconhecimento do milagre operado pela sua intercessão, aqui estamos para conhecer mais um pouco da vida e da obra desta futura Beata Portuguesa.

Logo após o anuncio da beatificação a Irmã Catarina Ávila, superiora da Casa de São José, na Candelária, abordou-me para apresentar este trabalho sobre a sua fundadora com o intuito de dar a conhecer aos fieis a vida de virtudes da Mãe Clara.

Aceitei o desafio ciente das minhas limitações, mas predisposto a conhecer mais um pouco da vida e da obra da Mãe Clara, pois embora a conhecesse, esse conhecimento era muito superficial.

Até a minha entrada no Seminário Episcopal de Angra, em Setembro de 1994, não me recordo de ter ouvido falar da Mãe Clara. Não a conhecia, mas conhecia e beneficiava da sua obra mesmo sem saber da sua génese. Refiro que beneficiava da sua obra, porque desde criança me habituei a ver e a lidar com as irmãs, que pertenciam a esta congregação fundada pela Mãe Clara. E beneficiei desde o dia do meu nascimento, pois a parteira que assistiu ao meu parto era Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição, a Irmã Olga, conforma me foi transmitido por minha mãe. Mais tarde continuei a beneficiar da obra fundada pela Mãe Clara quando frequentei o Colégio de Santo António, na Cidade da Horta, na altura orientado pelas irmãs, desde o jardim de infância até à 2ª classe, tendo sido a Irmã Carminda, hoje superiora na Cidade da Horta, a minha primeira professora, aquela que me ensinou a ler e a escrever e que mais tarde tive a alegria de reencontrar na Cidade de Angra.

Chegado ao Seminário continuei a beneficiar da obra da Mãe Clara, pois nele vivia uma comunidade desta congregação que orientava aquela Casa Santa Mimosa de Deus, o Coração da Diocese, nas lides da alimentação e da limpeza. Permitam-me que das várias irmãs que lá conheci recorde a Irmã Júlia, que por mim nutriu uma simpatia especial, a minha mãe do seminário, assim lhe tratava.

Enquanto seminarista conheci mais um pouco desta obra nas várias actividades que as irmãs desenvolviam, tanto com crianças, como com idosos e o seu trabalho de evangelização com os jovens, nos retiros dos Esquemas de Nossa Senhora, que tive a graça de participar e de colaborar.

Chegado à Ilha do Pico como Pároco da Matriz de Santa Maria Madalena, vim encontrar a obra da Mãe Clara no Lar da Santa Casa da Misericórdia da Madalena, obra esta que daqui desapareceu com grande mágoa da minha parte, pois a sua presença era um bálsamo para os velhinhos ali internados e para toda a comunidade madalenense que nutria pelas irmãs grande carinho, estima e admiração. De entre as irmãs que ali conheci deixai-me destacar a última obreira da obra da Mãe Clara naquela instituição, a Irmã Rosalina, ainda hoje muitas vezes recordada pelos velhinhos, empregados e funcionários. Recordo como me foi dolorosa a sua despedida daquela casa e como me custou celebrar a última Eucaristia para as irmãs. Custou-me tanto, não tenho vergonha em dize-lo, que até me comovi, talvez a primeira vez que chorei como pastor… Foi difícil ver as irmãs partirem da minha comunidade…

Mais tarde ao assumir a paroquiação da Paróquia de Nossa Senhora das Candeias, na Candelária, volto a encontrar-me com a obra da Mãe Clara, na pessoa das irmãs que ali trabalham numa dedicação extrema pela Paróquia, vendo nascer a sua obra social com a Casa de Acolhimento e mais recentemente com o Lar Cardeal Costa Nunes, que acolhe crianças necessitadas. Pelo trabalho das irmãs continua hoje a obra da Mãe Clara. Quanto à presença das irmãs na Candelária é imperioso referir a obra da Mãe Clara continuada na pessoa da Irmã Nivéria, que contagiou e continua a contagiar imensas gerações não só da Candelária mas de muitas outras Paróquias do Concelho da Madalena, que por lá passaram no colégio, na catequese e nos grupos de jovens.

Todos nós conhecemos o trabalho que as irmãs realizam entre nós e este trabalho é fruto da disponibilidade de uma alma que viveu no século XIX e que se deixou guiar pelos desígnios de Deus, descobrindo o rosto de Jesus naqueles que mais precisavam e que lutando conta ventos e marés conseguiu fazer de um sonho uma realidade, contagiando as suas seguidoras com o exemplo da sua vida e fundando a congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, cuja actividade chegou até aos nossos dias, actividade esta que todos nós reconhecemos, porque a conhecemos entre nós, como uma bênção do céu. E tudo isto porque houve uma mulher de fé e de obras, porque a fé sem obras é morta, como diz o apóstolo, uma mulher de fé e de obras, chamada irmã Maria Clara do Menino Jesus.

É esta mulher que a 21 de Maio próximo a Igreja apresentará como modelo de virtudes, promovendo a sua beatificação.

 

A vida…

 

Olhemos agora, um pouco para ela, numa resenha recolhida no boletim “A Irmã dos Pobres”, publicado pela congregação por ela fundada, assim como no sítio da internet da mesma:

No dia 15 de Junho de 1843, na Amadora, perto de Lisboa, no seio de uma família de origem nobre, nasceu uma menina a que foi dado o nome de Libânia do Carmo. Órfã aos 14 anos, foi acolhida no Asilo Real da Ajuda, no qual recebeu, desde logo, uma formação humana e espiritual condizente com a sua posição social, pois era de uma família nobre. Em 1862, deixou a referida instituição e foi acolhida como dama de companhia na família dos Marqueses de Valada, seus parentes.

Em 1867, intuindo no seu íntimo o chamamento do Senhor para a vida religiosa, transferiu-se para o pensionato de São Patrício, em Lisboa, junto das Terceiras Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição e em 1869, vestiu o hábito de terceira e assumiu o nome de Maria Clara do Menino Jesus.

Para poder superar alguns obstáculos postos pelas leis portu­guesas, que proibiam qualquer forma de vida religiosa, a Irmã Maria Clara do Menino Jesus foi enviada, pelo orientador espiritual da Fraternidade das Capuchinhas, Padre Raimundo dos Anjos Beirão, a Fran­ça, onde no Mosteiro das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, fez o noviciado e, em 1871, emitiu os votos.

Logo após o seu regresso a Portugal, a Irmã Maria Clara foi no­meada Superiora do Convento de São Patrício e, sob a segura orientação do Padre Raimundo Beirão, iniciou um processo de reforma da comunidade das Capuchinhas, transformando­-a no berço das Irmãs Hospitaleiras Portuguesas, com o nome de Irmãs Hospitaleiras dos Pobres pelo Amor de Deus. Em 1874, esta instituição foi reconhecida pelo governo português, como Associação de Beneficência e, em 1876, obteve a plena aprovação do Papa Pio IX.

A Congregação nascente teve, desde o início, um grande florescimento de vocações e de obras, mas, ao mesmo tempo, foi alvo de muitas calúnias e oposições. Apesar das muitas dificuldades, a Mãe Clara continuou serenamente a sua obra de apostolado, repetindo muitas vezes que “Nada acon­tece no mundo sem a permissão de Deus”. Na verdade, ela permaneceu sempre totalmente fiel ao Senhor e à sua vontade, dedicando-se por inteiro ao crescimento espiritual das suas irmãs e à realização de muitas obras de apostolado para bem de todas as almas.

Ao longo de 28 anos, presidindo aos destinos da Congregação, recebeu cerca de 1000 irmãs e com elas tornou-se, podemos dize-lo com toda a segurança, pioneira da acção social em Portugal, fundando mais de 142 obras, distribuídas por hospitais, enfermagem ao domicílio, creches, escolas, colégios, assistência a crianças e idosos, cozinhas económicas, entre outras. Nestas instituições o pobre, o doente, o desvalido de toda a sorte, a massa sobrante do seu tempo, puderam conhecer o amor e os cuidados de mulheres dedicadas inteiramente ao serviço dos mais necessitados, experimentando assim a ternura e a misericórdia de Deus.

A exortação frequente: “Trabalhemos com amor e por amor” era a síntese do seu viver. Só a caridade a norteava. Toda a sua vida foi um gastar-se no labor contínuo de “fazer o bem, onde houver o bem a fazer", lema de acção do Instituto por ela fundado. Esta mesma acção foi estendida, progressivamente, a Angola, Goa, Guiné e Cabo Verde.

A Irmã Maria Clara do Menino Jesus faleceu no Convento das Trinas, em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1899, com 56 anos, vítima de doença cardíaca, asma e lesão pulmonar. Foi sepultada três dias depois, no cemitério dos Prazeres, acompanhada de enorme multidão de fiéis que reconheciam a sua santidade.

Sepultada no Cemitério dos Prazeres, foi trasladada, em 1954, para o Convento de Santo António, em Caminha, e repousa, a partir de 1988, na cripta da Capela da Casa-Mãe da Congregação, em Linda-a-Pastora, Queijas, Patriarcado de Lisboa, onde acorrem inúmeros devotos a implorar a sua intercessão junto de Deus.

 

Anúncio da beatificação…

 

É esta mulher que no próximo dia 21 de Maio teremos a alegria de ver beatificada.

A Sala de Imprensa do Vaticano anunciou a beatificação e a Comunicação Social fez eco, alastrando em notícias, atingindo países e continentes: Sua Santidade, o Papa Bento XVI, mandou publicar o Decreto de reconhecimento do milagre, atribuído à religiosa portuguesa, Maria Clara do Menino Jesus.

Era o dia 10 de Dezembro de 2010.

Inicia o texto do decreto do reconhecimento do milagre, conforme a praxe, por uma resenha biográfica de Maria Clara do Me­nino Jesus. Referindo-se, depois, ao milagre, percorre as várias etapas, evidenciando a gravidade da doença e o recurso de D. Georgina, a miraculada, ao poder de Deus, através da intercessão da Madre Clara: A curada, considerada a gravidade do seu estado de saúde, comprometido realmente por uma grave patologia crónica, definida como “pioderma gangrenoso fagedénico”, decidiu recorrer à Venerável Serva de Deus, para que intercedesse pela sua cura. Essa oração, feita pela Senhora Georgina e por algumas Religiosas pertencentes à Congrega­ção das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, foi constante e incessante, durante alguns anos. A curada, de facto, começou a invocar Maria Clara do Menino Jesus, desde 1998, metendo entre as ligaduras que envolviam o braço, a estampa da Venerável Serva de Deus.

A Consulta Médica foi instruída na Cúria Eclesiástica de Tui-Vigo, Espanha. Reco­nhecida a validade jurídica pela Congregação para as Causas dos Santos, os Actos reco­lhidos foram submetidos sucessivamente ao exame e à avaliação da Consulta Médica do Dicastério Romano, a 14 de Janeiro de 2010. Os médicos julgaram e revelaram a gravidade da doença e as terapias inadequadas, afirmando que a cura da Senhora Georgina Troncoso Monteagudo foi repentina, completa, duradoura e inexplicável, do ponto de vista científico.

A 15 de Junho de 2010, realizou-se o Congresso Peculiar dos Consultores Teólogos, cujo resultado positivo foi confirmado, posteriormente, a 07 de Dezembro de 2010, pelos Padres Cardeais e Bispos. Quer numa quer noutra Comissão, foi apresentada a dúvida sobre o reconhecimento de um milagre divino e a resposta foi afirmativa.

Finalmente, feito um relatório de todos estes actos, assinado pelo Arcebispo Prefeito, ao Sumo Pontífice Bento XVI, Sua santidade recebeu e ratificou os votos da Congregação para as Causas dos Santos e declarou: “Reconhecer o milagre realizado por Deus, pela intercessão da Venerável Serva de Deus Maria Clara do Menino Jesus, a saber, a “cura da Senhora Georgina Troncoso Monteagudo de um pioderma gangrenoso fage­dénico grave de tipo crónico”.

O Sumo Pontífice mandou publicar este decreto e inscrevê-lo nas actas da Congregação para as Causas dos Santos.

 

Celebração da beatificação…

 

21 de Maio de 2011 foi o dia escolhido, pela Sé Apostólica, para a beatificação de Maria Clara do Menino Jesus, que acontecerá no Estádio do Restelo, em Lisboa, cidade onde morreu a nova beata. Espera-se um significativo número de participantes, não só de Portugal, como delegações dos 14 países onde se encontra a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, fundada pela Irmã Maria Clara do Menino Jesus e pelo Padre Raimundo dos Anjos Beirão. Depois de, no passado dia 10 de Dezembro de 2010, Bento XVI ter assinado o Decreto de aprovação do milagre, operado por Deus e atribuído à intercessão da Irmã Maria Clara.

“Maria Clara, um rosto da ternura e da misericórdia de Deus”: é o slogan que dará o tom às comemorações. De facto, nela se visibilizam os traços característicos do coração de Deus: bondade, ternura, compaixão, misericórdia, acolhimento, gratuidade, confiança, amor. Segundo D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga, a Irmã Maria Clara “tinha um grande coração que vê”. Vê. Deixa-se tocar profundamente pela miséria em que mergulha o povo português. Rompe barreiras e busca soluções, por todos os meios ao seu alcance. Abdica de tudo e faz dos pobres a sua família predilecta. Torna-se a Irmã dos pobres.

O lema “onde houver o bem a fazer que se faça”, que emerge da forma activa como a Irmã Maria Clara viveu o Evangelho, é, hoje, prolongado no projecto de vida dos membros da grande família Franciscana Hospitaleira, composta por Irmãs, Consagradas Seculares, Leigas Consagradas e Leigos comprometidos na Igreja e na sociedade. Inserida no mundo e situada no tempo, a missão hospitaleira continua a exercer-se, na alegria da gratuidade, no âmbito das obras de misericórdia, segundo os critérios de felicidade propostos por Jesus.

 

As suas máximas de vida…

 

A Irmã Maria Clara do Menino Jesus fez da sua vida um verdadeiro “lava-pés”, no serviço aos irmãos mais necessitados, norteada pela sua forte adesão a Jesus, seu Mestre e Guia. Só uma alma de fé poderia levar a cabo tão grande empreitada de amor. Gostaria de convidar-vos a saborear algumas das suas máximas, que nos sintetizam a sua grande fé e que de certo são o segredo da sua obra, senão vejamos:

  • “Trabalhemos com fervor e verdadeiro espírito de fé, essa fé que opera prodígios!”
  • “É necessários sermos generosas para com Deus que tão generoso tem sido para connosco.”
  • “Trabalhando, amando e esperando, teremos correspondido à vocação a que Deus nos chamou.”
  • “Todo o tempo que por Deus não é ocupado, é perdido para a eternidade.”
  • “Trabalhemos unicamente para testemunhar ao bom Deus o nosso reconhecimento pelo muito que nos deu!”
  • “Recebei tudo como vindo das mãos do Senhor que tudo permite para nosso bem.”
  • “A paz é o verdadeiro prémio dos que servem bem ao Senhor.”
  • “Amemos a Quem tanto nos tem amado e continuamente nos está fazendo bem.”
  •  “O Sol da Justiça pode eclipsar-se por um momento, mas é para depois reaparecer com mais esplendor.”
  • “A pessoa humilde atrai sobre si as graças do céu.”
  • “Um olhar providencial de Deus vela por nós.”

 

E para terminar este nosso simples e singelo olhar sobre a Mãe Clara, olhemos para aquela que para mim é a sua grande máxima, embebida do espírito de Francisco de Assis, do qual a Mãe Clara tanto bebeu: Onde houver o bem a fazer que se faça.

Eis aqui aquela que deveria ser a máxima de cada cristão, pois onde se realizar o bem, aí estará a Salvação trazida por Cristo, concretizada em boas obras.

A Mãe Clara deixa-nos este forte exemplo. Saibamos aprender com ela e ter sempre presente na nossa vida que onde houver o bem a fazer que se faça. Que ela nos ajude!

 

Beata Maria Clara do Menino Jesus, rogai por nós.

 

Tenho dito.

 

 

Pe. Marco Martinho

Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso

Pico, 9 de Abril de 2011

 




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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
CONSELHO PRESBITERAL DA DIOCESE DE ANGRA

XXXVI Sessão Plenária

Angra do Heroísmo,18 a 20 de Maio de 2011

 

PROPOSTAS

 

O Conselho Presbiteral da Diocese de Angra reunido de17 a19 de Maio em Angra do Heroísmo para reflectir a “Pastoral Social Hoje”, com base na reflexão prévia das Ouvidorias e no contributo resultante da intervenção do Presidente da Caritas Nacional, e em atenção ao actual contexto de crise, apresenta as seguintes propostas, em relação à Diocese, Ilha/Ouvidoria e Paroquia:

 

1. Diocese:

 

- Criar um Serviço Diocesano de Apoio à Pastoral Social;

- Dedicar um Triénio à Renovação da Pastoral Social;

- Elaborar uma Carta de Princípios para a Pastoral Social nos Açores;

- Editar um opúsculo sobre Doutrina Social da Igreja ao alcance de todos, com um guião de reuniões para a formação dos cristãos;

- Recorrer ao contributo de peritos em matéria social, em ordem a uma correcta avaliação das implicações da crise actual no mundo de hoje;

- Promover a formação de agentes a todos os níveis em matéria de Doutrina Social da Igreja.

 

 

2. Ilha/Ouvidoria

 

-  Promover acções de formação sobre a Doutrina Social da Igreja;

- Constituir a Caritas de Ilha com representantes das diversas Ouvidorias/Zonas/Paróquias;

- Criar centros de acolhimento para imigrantes, repatriados, sem abrigo, e outros casos de exclusão social;

 

- Sensibilizar as pessoas empenhadas na área da Evangelização e da Liturgia para a importância da dimensão social da Fé.

-Incentivar a partilha de bens entre Paróquias/Zonas/Ouvidorias/Ilhas;

- Apelar ao Clero para um testemunho pessoal na linha da partilha fraterna.

 

 

3. Paróquias:

 

- Criar um Núcleo de Acção Sócio – Caritativa, sustentado pela comunidade;

- Envolver os Conselhos Pastoral e para os Assuntos Económicos nas acções sócio – caritativas;

- Apelar à sobriedade nos gastos em todas as festas religiosas;

 

4. No sentido de promover uma verdadeira partilha no seio do Presbitério, o Conselho recomenda à Diocese que retome o estudo da elaboração do  Estatuto Económico do Clero.

 

5. Subjacente a todas estas propostas, importa ter presente o dever de anúncio e denúncia por parte de todas as instâncias da Igreja local.

 

 

Angra do Heroísmo, 19 de Maio de 2011



publicado por magdala às 02:49
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
13 de Maio de 2011
Este ano, a peregrinação era para dar graças ao Senhor pela beatificação de João Paulo II, o Papa de Fátima.
 
Mais de 200 mil peregrinos (diz a GNR), 288 padres e 23 Bispos, para além de muitos grupos organizados, vindos de 24 países.
 
Presidiu o cardeal Sean O’Malley, Arcebispo de Boston (USA), franciscano capuchinho, de 66 anos.
Destaco alguns «halos» à volta da sua homilia: 
 
No noite do dia 12:
 
- A mensagem de Fátima é crucial num mundo abalado pela violência, e onde a morte de Bin Laden lembra o confronto entre o ocidente cristão e os expoentes radicais do islão.

- Maria vai ajudar a fazer a ponte entre cristianismo e islão.

- O holocausto, a bomba atómica, as duas guerras mundiais, o aborto e a eutanásia legalizados, a par do nascimento do comunismo, nazismo e fascismo, fizeram do século XX o mais sangrento da história.
 
No dia 13:
 
- João Paulo II sobreviveu ao atentando de 1981, no Vaticano, para ser instrumento de Deus para derrubar a Cortina de Ferro e para que acabasse a opressão política do comunismo no mundo,
 
- No nosso mundo, muitas vezes a multidão afasta as pessoas de Deus,  impede-as de aproximarem. A pressão do grupo, a opinião pública, a cultura materialista da morte que nos envolvem… afastam muitas vezes as pessoas de Deus.

 - Assim como a multidão afasta as pessoas de Deus, a comunidade de fés, a família dos discípulos  aproxima as pessoas de Deus, ajudando a ultrapassar os obstáculos que se interpõem no caminho.
 
-  Hoje, como noutros tempos, os pais enfrentam terríveis ameaças contra os seus filhos, por parte dos que lhes querem vender droga, dos média que fazem do sexo livre algo de desejável, dos materialistas e ateus que lhes dizem que vivemos só de pão… Quantos tentam matar espiritualmente as nossas crianças!

- O cardeal referiu-se ainda aos “incontáveis deslocados, aos sem-abrigo embrulhados nos vãos das portas e dormindo sobre as grelhas do metro e aos 27 milhões de refugiados que vagueiam pela terra nos dias de hoje".
 
Muitas emoção, muitas palmas...
E mais algumas curiosidades para a longa lista do número 13, que circula por aí, relacionada com João Paulo II.
Neste dia 13 de Maio, 13 dias depois da beatificação de João Paulo II, o Papa de Fátima, coincidindo com a apresentação do vídeo de 13 minutos «Todo Teu, todo nosso». aconteceu o «milagre»:
à volta do Sol forma-se um anel de luz, qual arco-íris... Fenómeno natural (o YouTube está cheio de vídeos desse fenómeno). Mas... a coincidência. o entusiasmo levaram a gritar: Milagre!
 
Notícia desenvolvida pela TV FATIMA:

http://www.tvfatima.com/portal/index.php?id=1906

A notícia na SIC, que até se esqueceu de apresentar imagens do Sol.

 


publicado por magdala às 00:48
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
13 de Maio de 2011
O "milagre" de Fátima
(noticia e foto da Lusa-Sapo) 

" Uma auréola formou-se ontem em torno do Sol durante as comemorações do 13 de Maio em Fátima. A ciência já explicou o fenómeno, mas não o facto de ter acontecido ao mesmo tempo que os peregrinos assistiam a um vídeo sobre João Paulo II. O acontecimento gerou a comoção das milhares de pessoas presentes no Santuário, que acreditaram ter-se tratado de um milagre. "

 




publicado por magdala às 16:44
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Procissão de Velas na Matriz da Madalena

 Em mais uma noite de 12 de Maio as ruas da Vila da Madalena encheram-se de tapetes de flores para a passagem da Veneranda Imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Centenas de fieis acompanharam a procissão que este ano rumou ao lugar da Areia Larga onde foi celebrada a Eucaristia Solene.

Ficam aqui algumas imagens da beleza da expressão da fé deste bom povo.

 


 

 



publicado por magdala às 03:30
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Há um ano...

A 13 de Maio de 2010 tive a alegria e a graça de viver no Santuário de Fátima as celebrações festivas deste dia, presididas por Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Um ano depois aqui recordo esses augustos momentos de intensa fé e espiritualidade.


Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por magdala às 00:40
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Mensagem de Fátima

 

A Mensagem de Fátima é um convite e uma escola de salvação. Foi iniciada pelo Anjo da Paz (1916) e completada por Nossa Senhora (1917). Foi vivida de maneira histórica pelos Três Pastorinhos – Lúcia, Francisco e Jacinta.

A mensagem de Fátima sublinha os seguintes pontos:

- a conversão permanente;

- a oração e nomeadamente o rosário,

- o sentido da responsabilidade colectiva e a prática da reparação.

A aceitação desta mensagem traz consigo a Consagração ao Coração Imaculado de Maria, que é símbolo de um compromisso de fidelidade e de apostolado. As orações ensinadas em Fátima pelo Anjo e Nossa Senhora ajudam a viver a Mensagem, que, como disse João Paulo II, em Fátima em 1982, é a conversão e a vivência na graça de Deus.



publicado por magdala às 00:21
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Domingo, 8 de Maio de 2011
És beato João Paulo II porque acreditaste

Na presença de um milhão e meio de fiéis provenientes de todo o mundo
Bento XVI beatificou Karol Wojtyla durante a solene e comovida liturgia

És beato João Paulo II porque acreditaste

"És Beato, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Do céu continua a amparar a fé do Povo de Deus". Foi a invocação dirigida por Bento XVI ao seu imediato predecessor, presidindo à sua beatificação no adro da basílica Vaticana na manhã de 1 de Maio, domingo da Divina Misericórdia. O Pontífice celebrou a eucaristia proclamando beato o Papa Wojtyla, na presença de uma multidão imensa de fiéis reunidos na praça de São Pedro, mas também nas ruas adjacentes e em diversos outros lugares de Roma.

Amados irmãos e irmãs!
Passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato! Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos connosco através do rádio e da televisão.
Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolheu esta data para a presente celebração, porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário.
Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.
"Felizes os que acreditam sem terem visto" (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica.
E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus" (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna "Pedro", rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: "Feliz de ti, Simão" e "felizes os que acreditam sem terem visto". É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.
Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: "Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor" (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o facto de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d'Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Actos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).
Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-baptizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De facto, escreve: "Isto vos enche de alegria"; e acrescenta: "Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n'Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas" (1 Pd 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. "Esta é uma obra admirável - diz o Salmo (118, 23) - que o Senhor realizou aos nossos olhos", os olhos da fé.
Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus - bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas - todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyla, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyla: uma cruz de ouro, um "M" na parte inferior direita e o lema "Totus tuus", que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyla encontrou um princípio fundamental para a sua vida: "Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria - Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria" (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).
No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: "Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszy?ski, Primaz da Polónia, disse-me: "A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milénio"". E acrescenta: "Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado". E qual é esta "causa"? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: "Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!". Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e económicos, invertendo, com a força de um gigante - força que lhe vinha de Deus - uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem - Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.
Karol Wojtyla subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu "timoneiro" - o Servo de Deus Papa Paulo VI -, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milénio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar "limiar da esperança". Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de "advento", numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.
Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma "rocha", como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Igreja.
Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu - nós te pedimos - a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amen.

No final da missa o Papa guiou a prece mariana do Regina Caeli, introduzindo-a com a saudação nas várias línguas às delegações oficiais, às autoridades civis e eclesiásticas e aos fiéis de todo o mundo, dizendo em português:

Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, de modo especial aos Cardeais, Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e numerosos fiéis, bem como às Delegações oficiais dos países lusófonos vindos para a Beatificação do Papa João Paulo II. A todos desejo a abundância dos dons do Céu por intercessão do novo Beato, cujo testemunho deve continuar a ressoar nos vossos corações e nos vossos lábios, repetindo como ele no início do seu pontificado: "Não tenhais medo! Abri as portas, melhor, escancarai as portas a Cristo!". Assim Deus vos abençoe!



publicado por magdala às 13:27
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Domingo, 1 de Maio de 2011
João Paulo II, novo Beato da Igreja Católica

 

Cidade do Vaticano, 01 mai 2011 (Ecclesia) – Bento XVI beatificou este domingo o Papa João Paulo II, penúltima etapa no reconhecimento como santo, na Igreja Católica, gesto sublinhado por palmas e gritos da multidão presente no Vaticano.

 

Durante a missa que decorre na Praça de São Pedro, o atual Papa proclamou a fórmula de beatificação, em latim, afirmando responder a um pedido “da diocese de Roma, de muitos outros irmãos no episcopado e muitos fiéis”.

 

A mesma fórmula permite que “o venerável servo de Deus, João Paulo II, papa, possa ser de ora em diante chamado beato”, proclamação acompanhada por uma longa salva de palmas, que se prolongou por vários minutos.

 

Nesse momento, foi revelada a imagem de Karol Wojtyla, representando uma foto de 1995 numa peça em tapeçaria (foto).

 

Pouco depois do início da celebração, o cardeal Agostino Vallini, vigário-geral para a diocese de Roma, apresentou o pedido de beatificação e elencou alguns traços biográficos do novo beato, na qual lembrou a sua “rica personalidade” e o tempo como “operário” sob o regime nazi, entre 1940 e 1944”.

 

A leitura da biografia, entrecortada pelas manifestações dos presentes, apresentou o "magistério luminoso" de João Paulo II como um Papa capaz de “escutar e dialogar” não com os católicos, mas também com as “Igrejas cristãs”, os “crentes no Único Deus” [referência a judeus e muçulmanos] e os “homens de boa vontade.

 

O rito prosseguiu com a colocação das relíquias – uma ampola com sangue de João Paulo II – junto ao altar, transportadas por duas religiosas, a irmã Tobiana, assistente pessoal do papa polaco, e a irmã Marie Simon-Pierre, cuja cura da doença de Parkinson, considerada miraculosa, encerrou o processo de beatificação.

 

Depois da proclamação do novo beato, o cardeal Vallini agradeceu a Bento XVI, novamente em latim, e juntamente com o postulador vai saudar o papa, terminando assim este momento.

 

Apenas no final da Missa volta a haver um momento específico da beatificação, quando o Papa e os cardeais se deslocarem para dentro da basílica a fim de cumprirem o que é descrito como um “ato de veneração” diante da urna de João Paulo II, colocada em frente ao altar principal.

 

Este gesto será repetido pelos bispos e as autoridades presentes que assim o desejarem, estando depois a basílica aberta aos participantes na cerimónia.

 

Para além dos peregrinos, estão no Vaticano cerca de 90 delegações oficiais, incluindo 16 chefes de Estado, como a Itália, Polónia e o Zimbabwe, com o presidente Robert Mugabe.

 

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, representa o executivo português na cerimónia de beatificação de João Paulo II, acompanhado pelo embaixador de Portugal junto da Santa Sé, Manuel Tomás Fernandes Pereira.

 

Na segunda-feira, na Praça de São Pedro, às 10:30, será celebrada uma eucaristia em honra do novo beato, presidida pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

 

A sepultura dos restos mortais de João Paulo II no andar principal da basílica vai ser feita de forma privada, no mesmo dia, na capela de São Sebastião, localizada na nave da basílica do Vaticano, junto da famosa 'Pietà' de Miguel Ângelo.

 

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano

 



publicado por magdala às 20:46
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