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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Festa da Canonização de São Nuno de Santa Maria na Candelária do Pico

Partilho aqui mais dois vídeos (estes da autoria da Sandra  Amaral publicados no seu blogue) da festa que no passado Domingo tivemos a graça de viver nesta ilha, nomeadamente na Paróquia da Candelária. Agradeço à Sandra ter perpetuado estes momentos.

As imagens falam por si.

 

 

In: www.saomateus2005.blogspot.com

 

 

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Na Candelária do Pico Festa da Canonização de São Nuno de Santa Maria

No passado Domingo a Ouvidoria do Pico celebrou festivamente a Canonização do novo Santo português, São Nuno de Santa Maria.

A celebração realizou-se na Igreja Paroquial da Candelária, por se encontrar naquela Paróquia o único templo da Diocese dedicado ao novo Santo, no lugar da Mirateca.

À Eucaristia solene presidiu Sua Excelência Reverendíssima D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo Emérito de Macau e concelebraram os Ouvidores do Pico e da Horta, Pe. Marco Martinho e Pe. Marco Luciano, respectivamente, assim como os Padres Paulo Areias, Pedro Lima e Marco Gomes.

Terminada a celebração eucarística as centenas de fieis que enchiam por completo a Igreja Paroquial da Candelária, saíram em procissão com a imagem de São Nuno, até à sua ermida na Mirateca, acompanhados pela filarmónica Lira de São Mateus.

De registar ainda a presença de vários agrupamentos de escuteiros da ilha, que através da Junta de Núcleo do Pico do CNE, quiseram associar-se a estas celebrações, uma vez que São Nuno é Patrono do Escutismo Católico Português.

Esta celebração festiva foi precedida por um tríduo preparatório, que foi solenizado pelos três centros de culto da Paróquia anfitriã, nomeadamente, Ermida de Nossa Senhora Mãe da Igreja do Campo Raso, Curato de Santo António do Monte e Paroquial. Ao longo do tríduo presidido por D. Arquimínio, a pregação esteve a cargo dos Padres José Constância, Marco Martinho e Zulmiro Sarmento.

 

 

Homilia de D. Arquimínio Rodrigues da Costa na comemoração da canonização de São Nuno de Santa Maria na Igreja Paroquial da Candelária a 26 de Abril de 2009

 

 

 

Irmãos e amigos! Neste dia em que o Sumo Pontífice Bento XVI inscreveu no rol dos Santos o Beato Nuno de Santa Maria, Portugal cristão exulta de alegria e dá graças ao Senhor.

Em união com o povo crente do nosso país, no clima de euforia que hoje nos envolve, queremos enaltecer o herói e o santo que a Providência nos concedeu e que faz parte da nossa herança cristã e nacional. Apraz-nos também sublinhar que São Nuno já tinha sido canonizado, há vários séculos, pela voz do povo português. De facto, desde que ele partiu para a casa do Pai, se não antes, os nossos antepassados começaram a venerá-lo como o "Santo Condestável".

Beatificado pelo Papa Bento XV a 23 de Janeiro de 1918, o seu culto foi autorizado a partir dessa data, mas apenas dentro dos limites da nação portuguesa. Neste dia 26 de Abril de 2009, dia que ficará certamente nos anais da nossa história, o Sumo Pontífice Bento XVI canonizou solenemente, em Roma, o Beato Nuno, estendendo o seu culto a toda a Igreja católica.

Ao pensarmos em tão excelsa e veneranda figura nacional, vem-nos, naturalmente, à lembrança o conhecido aforismo bíblico: "Deus é admirável nos seus santos". Quer isto dizer que também eles, como obras primas saídas das mãos do Artífice divino, são dignos de admiração. E o que se diz dos Santos em geral aplica-se, sem duvida alguma, a São Nuno de Santa Maria. Também ele foi admirável, porque a sua passagem pelo mundo foi uma caminhada ascensional para as culminâncias do heroísmo e da santidade.

É o que nós constatamos ao acompanhar São Nuno nos passos mais importantes da sua vida.

Perante a ameaça que pairava sobre a nação portuguesa - a perda da independência nacional - São Nuno consegue que o Mestre de Avis seja eleito Regedor e Defensor do Reino e depois, nas cortes de Coimbra, aclamado como rei de Portugal. Castela, porém, não estava disposta a aceitar tal situação. Daí, a guerra entre as duas nações peninsulares. Foi neste conflito que São Nuno se imortalizou, graças à sua coragem e à sua perícia na arte das armas.

Nomeado Condestável, ele alcança o seu primeiro grande triunfo na batalha dos Atoleiros. Segue-se, não muito depois, a epopeia de Aljubarrota, em que São Nuno, à frente do pequeno exército português, constituído por sete mil soldados, derrota os adversários, que haviam invadido Portugal com uma multidão armada de trinta e cinco mil homens.

Com esta estrondosa vitória, consolida-se a independência nacional. E o prestígio de São Nuno, que já era imenso, cresce ainda mais com a memorável vitória de Valverde, alcançada do outro lado da fronteira.

Admirável nos campos de batalha, São Nuno não o é menos na grandeza de alma com que renuncia às riquezas e glórias do mundo.

Para compreendermos todo o valor e heroísmo desta atitude, convém pensar em tudo aquilo que São Nuno possuía e em tudo aquilo que ele era.

Depois de tão gloriosos triunfos nos campos de batalha, ele tornara-se o homem mais admirado em Portugal. Ninguém o igualava em glória e prestígio. Além disso, possuía muitas terras e rendimentos, graças à munificência com que Dom João I o favorecera.

Alcandorado a tais alturas, São Nuno a tudo renuncia, em benefício de seus netos e companheiros de armas. E assim, despojado de todos os seus bens materiais, entra na Ordem do Carmo como simples Irmão leigo. Deste modo, ele, o maior português do seu tempo e um dos maiores de sempre, ele, que assegurara a independência nacional nos campos de batalha, aparece nas ruas de Lisboa, revestido do seu hábito de Irmão Carmelita, a pedir esmola pelas portas. E, no convento, assume a humilde função de porteiro. Neste cargo, era ele quem abria a porta aos pobres e lhes oferecia os caldos preparados pelos outros monges. Além disso, entregava-se assiduamente à oração e fazia companhia a Jesus, no Santíssimo Sacramento, durante longas horas do dia e até da noite.

Acima de tudo, São Nuno foi um fiel imitador de Cristo. Diz-nos o Evangelho que, muitas vezes, Jesus passava as noites em oração. E que se retirava para lugares solitários para orar. São Paulo acrescenta que Jesus, "sendo rico, por nós se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza". Em tudo isto, foi São Nuno perfeito imitador do Senhor Jesus.

Cristo ocupa um lugar único no ideal religioso de São Nuno. É o que nos mostra o facto de, na sua bandeira de combatente, aparecer, entre outros símbolos, a imagem do Senhor crucificado. Nele, que foi pobre no nascimento, mais pobre na vida e paupérrimo na morte, encontrou São Nuno o seu modelo, o seu centro de atracção e o sol da sua vida.

Como consequência do seu amor a Cristo, São Nuno prega-nos, com o seu exemplo, o desprendimento dos bens da terra, mostrando-nos que a verdadeira riqueza é a virtude e a santidade. Anulado aos olhos do mundo dentro dos muros dum convento, depois de ter sido, graças ao seu génio militar, o salvador da Pátria, São Nuno torna-se imensamente grande aos nossos olhos de cristãos e de portugueses. E também aos olhos da Igreja, que hoje o canonizou.

Diz-nos a Sagrada Escritura que "a raiz de todos os males é a cobiça". De facto, quantos se perdem por causa do amor desordenado aos bens deste mundo! A todos esses adoradores do "bezerro de oiro", São Nuno prega, com a força do seu exemplo, o valor evangélico da pobreza e do desprendimento.

São Nuno foi também um grande devoto da Mãe de Jesus.

Sinal deste amor é o facto de ele ter querido que a imagem da Senhora figurasse na sua bandeira de combatente. Outro testemunho do seu amor à Virgem é o facto de ele ter acrescentado ao próprio nome o nome de Maria. De facto, ao entrar na Ordem do Carmo, ele quis ser identificado como "Frei Nuno de Santa Maria".

Amando todos os homens, Ele amou, de modo particular, os seus irmãos portugueses. Por eles arriscou, muitas vezes, a vida na luta contra os inimigos de Portugal. Ora, como diz o Senhor, "não há maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos". E, se São Nuno não chegou a morrer em combate, o certo é que se expôs a esse perigo todas as vezes que enfrentou os adversários no fragor das batalhas.

São Nuno amou a Pátria, mas nunca odiou os inimigos. Um santo não odeia ninguém. Apenas coloca a Pátria acima daqueles que a hostilizam e atacam. Porque, no amor bem ordenado, há uma escala de valores. Restringindo-nos ao amor entre os homens, está em primeiro lugar, evidentemente, o amor da Pátria; e só depois vem o amor dos outros povos.

Quanto ao preceito evangélico de amar os inimigos, ele não se pode estender até ao ponto de constituir uma traição à Pátria e ao amor que lhe é devido. Nesse caso, deixaria de ser verdadeiro amor.

Irmãos e amigos, aprendamos de São Nuno a amar os irmãos com um amor efectivo, que se concretize em obras de altruísmo cristão. E se este amor for autêntico, será, com toda a certeza, fruto do amor de Deus.

Aprendamos ainda de São Nuno a amar a Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Encomendemo-nos ao seu carinho materno e procuremos imitar as suas virtudes. E assim, vivendo ainda no mundo, avançaremos em direcção à Pátria celeste, onde São Nuno, sob o olhar amoroso de Jesus e de Maria, exulta, com os anjos e os santos, na alegria que não tem fim.

Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!

Palavras do Papa Bento XVI na homilia da celebração da

Canonização de São Nuno de Santa Maria

«Sabei que o Senhor me fez maravilhas. Ele me ouve, quando eu o chamo» (Sal 4,4). Estas palavras do salmo responsorial exprimem o segredo da vida do Bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal. Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos – não sem um desígnio particular de Deus –, abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra. São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado na militia Christi, ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo. Características dele são uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino. Embora fosse um óptimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à acção suprema que vem de Deus. São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à acção de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de quem era devotíssimo e a quem atribuía publicamente as suas vitórias. No ocaso da sua vida, retirou-se para o convento do Carmo por ele mandado construir. Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus.

 

Praça de São Pedro – Roma, 26 de Abril de 2009

 



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Programa - Porque Hoje é Domingo de 26 de Abril de 2009

É só clicar:

 

http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&videoid=56544541

 



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Domingo, 26 de Abril de 2009
III DOMINGO DA PÁSCOA

 

Jesus aparece aos Apóstolos e convida-os a tocar o seu Corpo glorificado, para que não subsistam dúvidas acerca da veracidade da Ressurreição. Ela será a garantia da fé e a força do apostolado de todos os seus seguidores. Com efeito, o plano de salvação traçado por Deus cumpriu-se em Jesus Cristo, que realizou todas as profecias do Antigo Testamento. Todavia, perante o desígnio de Deus, a atitude dos judeus é de incompreensão. Por isso é que o apóstolo S. Pedro os convida à conversão. Já S. João nos recorda que o mal só pode ser plenamente vencido com a ajuda de Cristo, nosso poderoso defensor junto do Pai.



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Sábado, 25 de Abril de 2009
Quem são os Santos de Portugal?

D. Nuno Álvares Pereira, Nuno de Santa Maria, será a partir de 26 de Abril o novo Santo português, juntando assim o seu nome a uma lista que se estende desde antes do início da nacionalidade. A última canonização de um português aconteceu quando Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976, declarou Santa a religiosa Beatriz da Silva.

 

Antes de 1143, há registo de vários Santos (nalguns casos figuras semi-lendárias) que demonstram a implantação que, desde bem cedo, o catolicismo teve no nosso país.

 

Nesta lista incluem-se figuras como São Manços (primeiro Bispo de Évora, séc. I), São Vítor de Braga (mártir do séc. I), São Dâmaso (Papa do séc. IV que alguns afirmam ter nascido em Guimarães), São Sisenando (Diácono e mártir do séc. IX, nascido em Beja), São Rosendo (Bispo do séc. X, nascido em Santo Tirso) e Santa Senhorinha (beneditina do séc. X, de Vieira do Minho).

 

Desta fase há a destacar a vida e obra de três Bispos de Braga, os Santos Martinho de Dume, Frutuoso e Geraldo.

 

Martinho, oriundo da Panónia, nasceu no princípio do século VI e foi, ainda novo, para a Palestina. Era um homem de grande erudição e «por inspiração divina», como ele mesmo afirmava, veio para a Galiza cerca do ano 550. Converteu os suevos do arianismo à fé católica e fixou-se em Dume; aí fundou um mosteiro de que foi eleito bispo. Em 569 ficou a ser também bispo metropolita de Braga. Morreu no dia 20 de Março do ano 579.

 

Frutuoso nasceu no princípio do século VII, de nobre família visigótica. Fundou numerosos mosteiros, que muito contribuíram para a educação da juventude, como centros de vida religiosa e cultural. Nomeado arcebispo de Braga, a fama da sua santidade e sabedoria estendeu-se a toda a Península Hispânica. Morreu por volta do ano 666.

 

Geraldo nasceu na Gália, de nobre família; professou no mosteiro de Moissac onde desempenhou os cargos de bibliotecário, mestre dos oblatos e cantor. O bispo Bernardo de Toledo conseguiu levá-lo para a sua catedral para aí exercer as funções de mestre e de cantor. Eleito bispo de Braga, exerceu grande actividade na reorganização da diocese, na promoção da vida monástica, na reforma litúrgica e pastoral, bem como na aplicação da disciplina eclesiástica. Morreu a 5 de Dezembro de 1108.

 

Sete Santos

 

Após a independência, contam-se entre os fiéis canonizados pela Igreja Católica sete portugueses: São Teotónio, Santo António, Santa Isabel, Santa Beatriz da Silva, São João de Deus, São Gonçalo e São João de Brito.

 

São Teotónio

 

Nasceu em Ganfei (Valença do Minho) aproximadamente no ano 1082 e foi educado piedosamente desde a infância. Quando D. Crescónio, seu tio, foi nomeado bispo de Coimbra, levou-o consigo para esta cidade e confiou ao arcediago D. Telo a sua formação nas disciplinas eclesiásticas. Depois de ordenado sacerdote, foi nomeado prior da Igreja da Sé de Viseu. Fez duas peregrinações à Terra Santa. No regresso da segunda peregrinação, insistentemente convidado por D. Telo e outros dez homens de grande virtude, fundou com eles o mosteiro da Santa Cruz em Coimbra, de que foi membro eminente e muito admirado, nomeadamente por S. Bernardo de Claraval. Teve também papel importante em algumas conjunturas da pátria. Morreu em 1162. A sua canonização foi aprovada pelo Papa Alexandre III (1159-1181). A memória litúrgica celebra-se a 18 de Fevereiro.

 

Santo António

 

O mais popular dos Santos portugueses nasceu em Lisboa, no final do século XII. Foi recebido entre os Cónegos Regulares de S. Agostinho e pouco depois da sua ordenação sacerdotal ingressou na Ordem dos Frades Menores com a intenção de se dedicar à propagação da fé entre os povos da África. Mas foi na França e na Itália que ele exerceu com grande fruto o ministério da pregação e converteu muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua, a 13 de Junho de1231. Foi canonizado por Gregório IX em Maio de 1232, menos de um ano após a sua morte, e foi proclamado Doutro da Igreja por Pio XII, a 16 de Janeiro de 1946. A memória litúrgica celebra-se a 13 de Junho

 

Santa Isabel

 

A "Rainha Santa", filha dos reis de Aragão, nasceu no ano 1271. Era ainda muito jovem quando foi dada em casamento ao rei de Portugal; teve dois filhos. Dedicou-se de modo singular à oração e às obras de misericórdia, e suportou infortúnios e dificuldades com grande fortaleza de ânimo. Depois da morte de seu marido, distribuiu os seus bens pelos pobres e tomou o hábito da Ordem Terceira de S. Francisco. Morreu no ano 1336, quando mediava o acordo de paz entre seu filho e seu genro. Foi canonizada por Urbano VIII, em 1625. A memória litúrgica celebra-se a 4 de Julho.

 

Santa Beatriz da Silva

 

Filha de pais portugueses, nasceu em Ceuta (África Setentrional) por volta de 1426. Ainda jovem, veio para Campo Maior (Portugal) e daqui passou à corte de Castela em 1447 como dama de honor da Infanta D. Isabel de Portugal. Para se poder dedicar a uma vida cristã mais perfeita, retirou se da corte para um mosteiro de Toledo, onde permaneceu mais de 30 anos. Em 1484 fundou o Instituto que mais tarde tomou o título da Imaculada Conceição de Nossa Senhora (Concepcionistas) e que foi aprovado pelo papa Inocêncio VIII em 1489. Pouco depois de fazer profissão religiosa, faleceu com fama de santidade. Foi canonizada por Paulo VI a 3 de Outubro de 1976. A memória litúrgica celebra-se a 1 de Setembro.

 

São João de Deus

 

Nasceu em Montemor-o-Novo (Portugal) no ano 1495. Depois duma vida cheia de perigos na carreira militar, o seu desejo de perfeição levou-o a ambicionar coisas maiores e entregou-se ao serviço dos enfermos. Fundou um hospital em Granada (Espanha) e associou à sua obra um grupo de companheiros que mais tarde constituíram a Ordem hospitalar de S. João de Deus. Distinguiu-se principalmente na caridade para com os pobres e os doentes. Morreu nesta cidade em 1550. Foi canonizado por Alexandre VIII, em 1690. A memória litúrgica celebra-se a 8 de Março.

 

São Gonçalo Garcia

 

Santo português franciscano que sofreu o martírio no Japão, em Nagasaki, no ano de 1597. Nasceu em Basein (Índia), em 1557, filho de um português e de uma indiana, foi educado pelos Jesuítas e seguiu o Pe. Sebastião Gonçalves até ao Japão. Depois de alguns anos como comerciante, foi para Manila (Filipinas), onde professou como Fransciscano em 1588. Cinco anos depois regressou ao Japão, como intérprete e dedicou-se ao apostolado, até ao martírio. Foi canonizado por Pio IX, em 1862. A memória litúrgica celebra-se a 6 de Fevereiro.

 

São João de Brito

 

Nasceu em Lisboa (Portugal) no dia 1 de Março de 1647, de família nobre. Depois de uma piedosa adolescência, entrou na Companhia de Jesus e, ordenado sacerdote, embarcou para as missões da Índia, onde trabalhou no meio de grandes sofrimentos e perseguições, mas também com grande fruto apostólico. Foi de lá enviado à Europa como Procurador das Missões e de novo partiu para a Índia; no dia 4 de Fevereiro de 1693 foi martirizado. Foi canonizado por Pio XII, a 22 de Junho de 1947. A memória litúrgica celebra-se a 4 Fevereiro.

 

Fonte: www.liturgia.pt



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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Portugal sintonizado na canonização do Santo Condestável

Acabo de ver na página da Agência Ecclesia uma notícia que tem como título “Portugal sintonizado na canonização do Santo Condestável”.

Ao ler atentamente esta notícia fiquei surpreendido e repleto de alegria ao notar que numa notícia sobre as comemorações da canonização do Beato Nuno de Santa Maria em Portugal, esteja referida a celebração da nossa Ouvidoria.

Pelas mãos do futuro Santo português, a Ilha do Pico perdida neste Atlântico norte é falada e conhecida.

O nome da nossa Ilha e da nossa Ouvidoria fica inscrito ao nível nacional nas comemorações desta canonização.

Graças a Deus!

Que São Nuno de Santa Maria interceda por nós.

Partilho aqui o texto da notícia referida, aumentando a letra no parágrafo que fala de nós.

 

 

 

«De Norte a Sul do país, a canonização de D. Nuno Álvares Pereira será celebrada de diversas formas. Uma vigília no sábado (25 de Abril) e uma missa de Acção de Graças, a 10 de Maio, são as celebrações previstas na diocese de Lisboa para assinalar a canonização do Beato Nuno de Santa Maria.

 

D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, estará em Roma, presidindo na noite de sábado a uma vigília de oração na Igreja de Santo António dos Portugueses, enquanto em Lisboa D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar, dirige idêntica celebração na Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

 

O Cardeal Patriarca conclui as celebrações da canonização com uma missa de Acção de Graças no dia 10 de Maio na Igreja do Santo Condestável, em Lisboa, onde desde 1951 repousam os restos mortais do mais recente santo português.

 

Na localidade de Ourém, onde Guilhermina de Jesus sofreu a queimadura na córnea, cuja cura viria a ser atribuída à intercessão do beato Nuno, será assinalada a canonização no próximo domingo com uma missa às 11:00 na Colegiada, em plena zona histórica, seguindo-se o descerramento de uma lápide junto à estátua de D. Nuno Álvares Pereira.

 

Por sua vez, em S. Jorge, concelho de Porto de Mós, onde em 1385 o Condestável liderou as forças portuguesas que derrotaram os castelhanos, a canonização vai ser seguida em ecrã gigante que a Fundação Batalha de Aljubarrota vai instalar junto à capela ali existente.

 

O mesmo vai acontecer na vila alentejana do Crato, no concelho de Portalegre, que vai assinalar a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira com um vasto conjunto de iniciativas de âmbito festivo, reflexivo e religioso. O primeiro acto, promovido por várias entidades daquele concelho, ocorrerá no domingo, 26 de Abril, com a transmissão em directo da cerimónia de canonização no interior do Mosteiro de Santa Maria, em Flor da Rosa. O mosteiro, monumento nacional, está intimamente ligado a Nuno Álvares Pereira, uma vez que foi mandado construir pelo seu pai, D. Álvaro Gonçalves Pereira, que aí se encontra sepultado.

 

De acordo com a organização, até ao mês de Abril de 2010, vão ser programadas várias actividades culturais, como concertos, exposições e conferências, para assinalar este acontecimento.

 

Por sua vez, o município local vai criar uma condecoração oficial, incluir o nome do novo santo na toponímia do concelho e construir um monumento evocativo à canonização. Estão também previstas, ao longo do ano, várias iniciativas de carácter militar para homenagear o novo santo.

 

A organização espera ainda efectuar a inclusão da liturgia do Beato Nuno Álvares Pereira nas paróquias daquele concelho, com especial destaque nas freguesias de Flor da Rosa e Crato. Também o Mosteiro das Carmelitas Descalças do Crato será mobilizado e envolvido nesta iniciativa de cariz religioso.

 

Por todo o país, entretanto, é esperado que o tema seja abordado na generalidade das paróquias durante as cerimónias religiosas de domingo.

 

É o que vai acontecer na ilha do Pico, nos Açores, onde a Ouvidoria local, se vai associar à canonização de Nuno Álvares Pereira com uma celebração solene na Igreja da Candelária, a única paróquia da Diocese de Angra do Heroísmo que tem um templo dedicado ao beato português. O templo situa-se no lugar da Mirateca e a eucaristia será presidida por D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo Emérito de Macau, e concelebrada pelo clero da ilha do Pico. No final, realiza-se uma procissão com a imagem de S. Nuno, desde aquela igreja até à sua Ermida, na Mirateca.»

 

Agência Ecclesia

Com LUSA



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Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa por ocasião da canonização de Nuno Álvares Pereira

1. Nuno Álvares Pereira proclamado santo.

 

A 21 de Fevereiro de 2009, o Papa Bento XVI anunciou a canonização de D. Nuno Álvares Pereira – o já beato Nuno de Santa Maria – para o dia 26 de Abril, junto com outras quatro figuras ilustres da Igreja.

 

Este facto é para Portugal e os portugueses motivo de júbilo e de esperança. Deve também constituir ocasião de reflexão sobre as qualidades e virtudes heróicas desta relevante personagem histórica, digna de ser conhecida e imitada nos dias de hoje. Nuno Álvares Pereira viveu em tempos difíceis de crise dinástica, com fortes divisões no tecido social e político português, que punham em perigo a própria identidade e independência da Nação.

 

Os Bispos de Portugal, em nome de todos os católicos do nosso país, desejam exprimir a sua alegria e gratidão pelo reconhecimento oficial da santidade heróica de mais um filho da nossa terra. Ultrapassando a mera saudade do passado e assumindo, com realismo e esperança, o tempo que nos é dado viver, querem ressaltar algumas virtudes heróicas de Nuno Álvares Pereira, cuja imitação ajudará a responder aos desafios do tempo presente.

 

2. Breves dados biográficos.

 

Nascido em 1360, Nuno Álvares Pereira foi educado nos ideais nobres da Cavalaria medieval, no ambiente das ordens militares e depois na corte real. Tal ambiente marcou a sua juventude. As suas qualidades e virtudes impressionaram particularmente o Mestre de Aviz, futuro rei D. João I, que encontrou em D. Nuno o exímio chefe militar, estratega das batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e Valverde, vencidas mais por mérito das suas virtudes pessoais e da sua táctica militar do que pelo poder bélico dos meios humanos e dos recursos materiais.

 

Casou com D. Leonor Alvim de quem teve três filhos, sobrevivendo apenas a sua filha Beatriz, que viria a casar com D. Afonso, dando origem à Casa de Bragança. Tendo ficado viúvo muito cedo e estando consolidada a paz, decidiu aprofundar os ideais da Cavalaria e dedicar se mais intensamente aos valores do Evangelho, sobretudo à prática da oração e ao auxílio dos pobres. Assim, pediu para ser admitido como membro da Ordem do Carmo, que conhecera em Moura e apreciara pela sua vida de intensa oração, tomando o profeta Elias e Nossa Senhora como modelos no seguimento de Cristo.

 

De Moura, no Alentejo, vieram alguns membros da comunidade carmelita, para o novo convento que ele mesmo mandara construir em Lisboa. Em 1422, entra nesta comunidade e, a 15 de Agosto de 1423, professa como simples irmão, encarregado de atender a portaria e ajudar os pobres. Passou então a ser Frei Nuno de Santa Maria. Depois de uma intensa vida de oração e de bem fazer, numa conduta de grande humildade, simplicidade e amor à Virgem Maria e aos pobres, faleceu no convento do Carmo, onde foi sepultado.

 

Logo após a sua morte começou a ser venerado como santo pela piedade popular. As suas virtudes heróicas foram oficialmente reconhecidas pelo Papa Bento XV, que o proclamou beato, em 1918, passando a ter celebração litúrgica a 6 de Novembro.

 

3. Virtudes e valores afirmados na vida de Nuno Álvares Pereira.

 

D. Nuno Álvares Pereira não é apenas o herói nacional, homem corajoso, austero, coerente, amigo da Pátria e dos pobres, que os cronistas e historiadores nos apresentam. Ele é também um homem santo. A sua coragem heróica em defender a identidade nacional, o seu desprendimento dos bens e amor aos mais necessitados brotavam, como água da fonte, do amor a Cristo e à Igreja. A sua beatificação, nos começos do século XX, apresentou o ao povo de Deus como modelo de santidade e intercessor junto de Deus, a quem se pode recorrer nas tribulações e alegrias da vida.

 

Conscientes de que todos os santos são filhos do seu tempo e devem ser vistos e interpretados com os critérios próprios da sua época, desejamos propor alguns valores evangélicos que pautaram a sua vida e nos parecem de maior relevância e actualidade.

 

Os ideais da Cavalaria, nos quais se formou D. Nuno, podem agrupar se em três arcos de acção: no plano militar, sobressaem a coragem, a lealdade e a generosidade; no campo religioso, evidenciam se a fidelidade à Igreja, a obediência e a castidade; a nível social, propõem se a cortesia, a humildade e a beneficência. Foram estes valores que impregnaram a personalidade de Nuno Álvares Pereira, em todas as vicissitudes da sua vida, como documentam os seus feitos militares, familiares, sociais e conventuais.

 

Fazia também parte dos ideais da Cavalaria a protecção das viúvas e dos órfãos, assim como o auxílio aos pobres. Em D. Nuno, estes ideais tornaram se virtudes intensamente vividas, tanto no tempo das lides guerreiras como principalmente quando se desprendeu de tudo e professou na Ordem do Carmo. Como porteiro e esmoler da comunidade, acolhia os pobres de Lisboa, que batiam às portas do convento e atendia os com grande humildade e generosidade. Diz-se que teve aqui origem a «sopa dos pobres».

 

Levado pela sua invulgar humildade, iluminada pela fé, desprendeu se de todos os seus bens – que eram muitos, pois o Rei o tinha recompensado com numerosas comendas – e repartiu os por instituições religiosas e sociais em benefício dos necessitados. Desejoso de seguir radicalmente a Jesus Cristo, optou por uma vida simples e pobre no Convento do Carmo e disponibilizou-se totalmente para acolher e servir os mais desfavorecidos. Esta foi a última batalha da sua vida. Para ela se preparou com as armas espirituais de que falam a carta aos Efésios (cf. Ef 6, 10 20) e a Regra do Carmo: a couraça da justiça, a espada do Espírito (isto é, a Palavra de Deus), o escudo da fé, a oração, o espírito de serviço para anunciar o Evangelho da paz, a perseverança na prática do bem.

 

Precisamos de figuras como Nuno Álvares Pereira: íntegras, coerentes, santas, ou seja, amigas de Deus e das suas criaturas, sobretudo das mais débeis. São pessoas como estas que despertam a confiança e o dinamismo da sociedade, que fazem superar e vencer as crises.

 

4. Apelo à Igreja em Portugal e a todos os homens e mulheres de boa vontade.

 

Ao aproximar-se a data da canonização do beato Nuno Álvares Pereira, pelo Papa Bento XVI, em Roma, alegramo-nos por ver mais um filho da nossa terra elevado às honras dos altares. Algumas peregrinações estão a ser organizadas para marcar a nossa presença na Praça de S. Pedro, na festa da sua canonização, no dia 26 de Abril. Confiamos que outras iniciativas pastorais sejam promovidas para dar a conhecer e propor como modelo o exemplo de virtude heróica que nos deixou este nosso irmão na fé.

 

A pessoa e acção de Nuno Álvares Pereira são bem conhecidas do povo português. A nível civil, é lembrado em monumentos, praças e instituições; a nível religioso, é celebrado em igrejas, imagens e associações. Figura incontornável da nossa história, importa revitalizar a sua memória e dar a conhecer o seu testemunho de vida. Para além de ser um modelo de santidade, no seguimento radical de Cristo, que «não veio para ser servido mas para servir» (Mt 20, 28), apraz nos pôr em relevo alguns aspectos de particular actualidade, para todos os homens e mulheres de boa vontade:

 

– Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo.

 

– Em tempo de grave crise nacional, optou corajosamente por ser parte da solução e, numa entrega sem limites, enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação.

 

– Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão da Ordem dos Carmelitas.

 

– Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo.

 

Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também um apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.

 

Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos.

 

Fátima, 6 de Março de 2009



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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
Concerto de Páscoa na Matriz da Madalena Pelo Coral de Santa Catarina

No próximo sábado 25 de Abril, realizar-se-á na Igreja Matriz da Madalena pelas 21 horas um concerto de Páscoa pelo Coral de Santa Catarina, que se deslocará da freguesia de Castelo Branco da Ilha do Faial.

O Coral de Santa Catarina, composto por cerca de sessenta elementos, irá interpretar a Missa “Pro Pace” de Daniele Carnevali e será acompanhado por uma orquestra de sopros.

A presença do Coral de Santa Catarina na Madalena do Pico é fruto de um intercâmbio com a Paróquia Matriz da Madalena, dentro das comemorações do 78º Aniversário da Solene Dedicação da Igreja Matriz da Madalena, que se celebra no Domingo 26 de Abril, numa celebração Eucarística pelo meio-dia, animada liturgicamente pelo Coral de Santa Catarina, sabiamente dirigido pelo Pe. Marco Luciano.



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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Nuno de Santa Maria Álvares Pereira (1360-1431)

Imagem que se venera no

Santuário do Senhor Bom Jesus

São Mateus do Pico

 

Biografia oficial para a cerimónia de Canonização divulgada pelo Vaticano

 

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, muito provavelmente em Cernache do Bonjardim, sendo filho ilegítimo de fr. Álvaro Gonçalves Pereira, cavaleiro dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e Prior do Crato, e de D. Iria Gonçalves do Carvalhal. Cerca de um ano após o seu nascimento o menino foi legitimado por decreto real, podendo assim receber a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezasseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim. Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

 

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei. Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, Comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

 

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela eucaristia e pela Virgem Maria são a trave-mestra da sua vida interior. Assíduo à oração mariana, jejuava em honra da Virgem Maria às quartas-feiras, às sextas, aos sábados e nas vigílias das suas festas. Assistia diariamente à missa, embora só pudesse receber a eucaristia por ocasião das maiores solenidades. O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

 

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente se alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acabo por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria. Impelido pelo Amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado. Embora tivesse preferido retirar-se para uma longínqua comunidade de Portugal, o filho do rei, D. Duarte, de tal o impediu. Mas ninguém pode proibir-lhe que se dedicasse a pedir esmola em favor do convento e sobretudo dos pobres, os quais continuou sempre a assistir e a servir. Em seu favor organiza a distribuição quotidiana de alimentos, nunca voltando as costas a um pedido. O Condestável do rei de Portugal, o Comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria — a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

 

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, o domingo de Páscoa, 1 de Abril de 1431, passando imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

 

Mas, embora a fama de santidade de Nuno se mantenha constante, chegando mesmo a aumentar, ao longo dos tempos, o percurso do processo de canonização será bem mais acidentado. Promovido desde logo pelos soberanos portugueses e prosseguido pela Ordem do Carmo, depara com numerosos obstáculos, de natureza exterior. Foi somente em 1894 que o Pe. Anastasio Ronci, então postulador geral dos Carmelitas, consegue introduzir o processo para o reconhecimento do culto do Beato Nuno “desde tempos imemoriais”, acabando este por ser felizmente concluído, apesar das dificuldades próprias do tempo em que decorre, no dia 23 de Dezembro de 1918 com o decreto Clementissimus Deus do Papa Bento XV.

 

As suas relíquias foram trasladadas numerosas vezes do sepulcro original para a Igreja do Carmo, até que, em 1961, por ocasião do sexto centenário do nascimento do Beato Nuno, se organizou uma peregrinação do precioso relicário de prata que as continha; mas pouco tempo depois é roubado, nunca mais tendo sido encontradas as relíquias que contivera, tendo sido depostos, em vez delas, alguns ossos que tinham sido conservados noutro lugar. A descoberta em 1966 do lugar do túmulo primitivo contendo alguns fragmentos de ossos compatíveis com as relíquias conhecidas reacendeu o desejo de ver o Beato Nuno proclamado em breve Santo da Igreja.

 

O Postulador Geral da Ordem, P. Felipe M. Amenós y Bonet, conseguiu que fosse reaberta a causa, que entretanto era corroborada graças a um possível milagre ocorrido em 2000. Tendo sido levadas a cabo as respectivas investigações, o Santo Padre, Papa Bento XVI, dispõe a 3 de Julho de 2008 a promulgação do decreto sobre o milagre em ordem à canonização e durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.

 

Imagem que se venera na

Igreja Matriz da Horta

 



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Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Ouvidoria do Pico Celebra a Canonização de São Nuno de Santa Maria

Na manhã do próximo Domingo, 26 de Abril, o Papa Bento XVI canonizará em Roma o Beato Português Nuno de Santa Maria – o Santo Condestável.

 

A Ouvidoria do Pico associar-se-á à alegria da Igreja Universal e Portuguesa com uma Solene celebração na Igreja Paroquial da Candelária, uma vez que é nesta Paróquia, no lugar da Mirateca, que se encontra o único templo da Diocese de Angra, dedicado ao Beato Nuno.

 

Pelas 18 horas haverá uma Solene Eucaristia na Igreja Paroquial da Candelária, presidida por D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo Emérito de Macau e concelebrada pelo clero da ilha, seguindo-se a procissão com a imagem de São Nuno até à sua Ermida no lugar da Mirateca, acompanhada pela Filarmónica Lira de São Mateus.

 

Em vista à preparação desta celebração em honra do novo Santo Português, haverá um tríduo preparatório, nos dias 23, 24 e 25 de Abril, pelas 20 horas na Igreja Paroquial da Candelária, sendo cada um dos dias do tríduo solenizado pelos três centros de culto da Paróquia: Paroquial, Curato de Santo António do Monte e Ermida de Nossa Senhora Mãe da Igreja do Campo Raso.

Imagem que se venera na

Ermida da Mirateca

Candelária do Pico

 



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