O PENSAR, SENTIR E VIVER MADALENENSE. UM ESPAÇO DE PARTILHA E DIÁLOGO QUE MARCA PELA DIFERENÇA E QUALIDADE
Domingo, 27 de Janeiro de 2008
NA NOITE DAS CANDEIAS ECOARÁ O CANTAR ÀS ESTRELAS
  Ao terminar a minha santa epopeia deste Domingo passei pela Candelária e ao ver movimento no salão da Casa do Povo local parei e entrei.
  Um grupo de homens e mulheres com sorrisos nos lábios cantavam versos rimados à Senhora das Candeias sustentados pelos acordes dos característicos instrumentos de corda.
   Tratava-se de um ensaio para a cantata a Nossa Senhora que acontecerá na noite de 1 de Fevereiro, véspera da Festa da Padroeira.
    Para esta cantata foram convidadas as capelas das paróquias da zona pastoral da Madalena. Além destas, este grupo de gente da Candelária quis juntar-se a esta homenagem a Nossa Senhora das Candeias, cantando à Senhora na noite das candeias e das estrelas.
    Com letra e música de Laurindo Cardoso deixamos aqui este cantar às estrelas que na noite da próxima sexta-feira ecoará nos céus da Candelária.
     Ao seu autor e a este grupo de gentes da Candelária o nosso reconhecimento. Bem hajam!



Centenário da chegada da imagem de Nossa Senhora das Candeias

À Paróquia da Candelária

1908-2008

 


Cantar às Estrelas

 

I

 

Vamos cantar às estrelas

Olhando o que vai no céu;

Todas correm, ai que belas,

Vão saltitando num véu.

São tantas que não tem soma,

Confundem nossas ideias.

Entre todas há só uma,

A Senhora das Candeias.

 

Coro

 

Cantemos a vez primeira

Com a força necessária;

Nossa estrela é Padroeira,

Rainha da Candelária.

 

II

 

Cantemos nossas estrelas;

Ser estrela é ser rainha.

As estrelas são tão belas

E a mais bela é a minha.

Traz o azul no seu manto,

Nos braços o Redentor;

Dos olhos caem seu pranto,

Com ternura e com amor.

 

III

 

As estrelas vão raiando,

Quando a noite aparece

E a mais forte vai levando

Para o céu a minha prece.

Peço a Deus que nos ajude

A encontrar o Seu caminho.

A todos dê-nos saúde

E também o seu carinho.

 

IV

 

Há sempre um dia formoso

A viver com emoção.

No Fevereiro invernoso,

É tão grande a procissão.

P'ra gentes da freguesia

Não há outra festa igual,

Mãe de Deus, Virgem Maria,

Rainha de Portugal.

 

 

V

 

Brilha uma estrela de dia,

Aos nossos olhos encanta,

Traz-nos paz e alegria,

Todos chamam nossa Santa.

Ó Senhora das Candeias,

É tanta a fé que nos dás,

A esperança que semeias

Dá ao mundo a Tua paz.

 

 

Letra e música de Laurindo Cardoso

1 de Fevereiro de 2008



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Domingo, 20 de Janeiro de 2008
PROCISSÃO DE VELAS DE NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS
    Como referimos no último post, na noite deste sábado 19 de Janeiro a Paróquia da Candelária, percorreu  o mesmo caminho de fé  de há  100  anos atrás. Um século depois voltou a trazer em procissão a imagem da Padroeira do Monte para a Candelária.
    Foram centenas de cristãos que esta noite caminharam orando e cantando os louvores do céu por intermédio da Virgem Santa Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
    Fez-se memória de há um século atrás transpondo para o hoje das nossas vidas a presença constante da Mãe que continua a ofertar-nos o Filho para ser a Luz de todos os caminhos da nossa vida.
    Deixamos aqui algumas imagens desta noite de fé:































publicado por magdala às 04:09
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Centenário da Imagem de Nossa Senhora das Candeias

Durante este ano de 2008 perfazem-se os 100 anos da chegada da actual imagem de Nossa Senhora das Candeias, Padroeira da Paróquia da Candelária.

Há 100 anos atrás a imagem de Nossa Senhora das Candeias desembarcou no porto do Calhau e foi conduzida em procissão até à Ermida de Santo António do Monte onde permaneceu alguns dias, até que a 27 de Dezembro de 1908 foi conduzida em solene procissão até à Igreja Paroquial.

Por proposta do Conselho Pastoral da Paróquia da Candelária aquela comunidade cristã está a assinalar esta efeméride fazendo memória deste acontecimento, voltando a trazer em procissão do Monte para a Candelária a imagem da Padroeira, antes de iniciar o novenário de preparação para a festa deste ano.

Ontem, Domingo, 13 de Janeiro, a depois da Missa Dominical na Igreja Paroquial o povo da Candelária saiu em cortejo automóvel com a imagem de Nossa Senhora das Candeias até ao ramal do porto do Calhau, onde o povo do Monte aguardava Nossa Senhora, organizando-se aí uma procissão até à Igreja de Santo António, onde chegada a procissão houve Missa Dominical.

Durante esta semana, de 14 a 19 de Janeiro, haverá na Igreja do Monte terço meditado pelas 17h30 e Missa pelas 18h00.

No sábado, 19 de Janeiro, depois da Missa das 18h00, organizar-se-á uma procissão de velas com a imagem de Nossa Senhora das Candeias do Monte para a Candelária, recordando o trajecto de fé de há 100 anos.

Deixamos aqui algumas imagens da procissão de ontem.



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 


 



publicado por magdala às 03:56
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Centenário do Nascimento do Senhor Bispo D. Jaime Garcia Goulart



Hoje perfazem-se 100 anos do nascimento do Senhor Bispo D. Jaime Garcia Goulart, primeiro Bispo de Dili-Timor, que nasceu na freguesia da Candelária nesta Ilha do Pico a 10 de Janeiro de 1908.

Numa iniciativa da Diocese de Angra em conjunto com a Ouvidoria do Pico e a Paróquia de Nossa Senhora das Candeias, haverão comemorações na Paróquia natal deste Bispo Missionário.

Pelas 17h30 haverá a inauguração da Rua D. Jaime Garcia Goulart, junto da casa de São José, seguindo-se o depositar de uma coroa de flores junto do seu busto e a Santa Missa de Acção de Graças, presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo Emérito de Dili e prémio Nobel da Paz em 1996, que se desloca ao Pico propositadamente para estas comemorações do centenário do nascimento do primeiro bispo de Dili.

 Terminada a Missa haverá no salão da Casa do Povo local uma sessão solene com a actuação do Rancho de Natal da Casa do Povo da Candelária e uma conferência proferida pelo Senhor Bispo D. Carlos Filipe Ximenes Belo.



 

Dados históricos


 

Este prelado nasceu na Candelária do Pico, em 10 de Janeiro de 1908, filho de João Garcia Goulart e de D. Maria Felizarda Goulart, primo do cardeal D. José da Costa Nunes, por parte de sua avó paterna D. Isabel Emília da Costa que era irmã do pai do cardeal. A avó materna de D. Jaime chamada D. Isabel Felizarda de Castro era, por sua vez, irmã da mãe do cardeal Costa Nunes.



Aos treze anos, em 1921, partiu para Macau onde frequentou o seminário de S. José. Alguém escreveu: "... foi para Macau com 11 rapazinhos açorianos, levados pelo Pe. João de Lima", que exercia as funções de secretário de D. José da Costa Nunes. Ainda estudante do 3.º ano de teologia foi nomeado secretário do primo, então bispo de Macau. Veio D. Jaime a concluir o curso teológico no seminário de Angra do Heroísmo, aproveitando a vinda aos Açores de D. José, onde recebeu a ordenação sacerdotal a 10 de Maio de 1931, partindo logo para a sua terra natal, a Candelária do Pico, ali celebrando a sua primeira missa em 15 desse mês. Algum tempo depois regressou a Macau ali permanecendo até 1933, ano em que partiu para Timor, onde se demorou até 1937 como comissário, muito contribuindo para a fundação do seminário menor de N.ª S.ª de Fátima na Missão de Soibada em 13 de Outubro de 1936 e destinado à formação de sacerdotes indígenas.

No ano de 1937 estava de novo em Macau e, pouco depois, em 1940, encontrava-se já em Timor, investido nas altas funções de vigário-geral das Missões.

Dili, cidade capital da província de Timor, sede do concelho e da diocese do mesmo nome, fica situada na costa norte da ilha de Timor, a 800 quilómetros da Nova Guiné, a cerca de 2400 de Singapura e a 3200 de Macau. Esta cidade sofreu grandes danos e destruições durante a II Grande Guerra e foi ocupada pelos exércitos japoneses.

Relatos da sua história dizem-nos que em 1665 foi criada a capitania-mor de Timor e que foi seu primeiro capitão Simão Luís, que levantou uma fortaleza no porto de Lifan, ali instalando a capitania da província que se manteve até 1769, data em que, por motivo de consecutivos ataques holandeses, o governador Teles de Meneses a transferiu para Dili, já então em vias de boa e segura fortificação que a defendia pela orla marítima em breve alcançando (1864) a sua elevação a cidade.



Foi nesta cidade que a autoridade papal criou em 4 de Setembro de 1940, pela bula Sollemnibus conventionibus a diocese de Dili, sufragânea da de Goa, sendo seu 1.º bispo o douto açoriano D. Jaime Garcia Goulart, que a governou desde 18 de Janeiro de 1941 como administrador apostólico e, como bispo, desde 12 de Outubro de 1945 a 31 de Janeiro de 1967. A sua sagração efectivou-se em Sidnei, Austrália, na capela do colégio de S. Patrício em 28 de Outubro de 1945, sendo sagrante o bispo D. João Panico, delegado apostólico, e co-sagrantes D. Normando Gilroy, arcebispo de Sidnei e D. João Coleman, bispo de Annidale, recebendo na altura a simpatia e homenagem de muitas individualidades. Dali partiu a dar entrada solene na sua diocese de Dili (9-12-45), que encontraria devastada e em ruínas. Exercia ainda administração apostólica, quando, em 1942, teve de deixar o bispado devido à ocupação japonesa. Eis os documentos emanados da Santa Sé (1) :

PIO PAPA, SERVO DOS SERVOS DE DEUS

Ao dilecto filho, Jaime Garcia Goulart, Administrador Apostólico da Diocese de Dili e Bispo eleito da mesma Diocese, saúde e benção apostólica. O oficio do supremo Apostolado pelo qual presidimos a todo o orbe católico, confiado à nossa humildade pelo Eterno Príncipe dos Pastores, impõe-nos o dever de cuidar com a máxima diligência de que presidam a todas as igrejas Prelados tais que saibam e possam apascentar salutarmente, dirigir e governar o rebanho do Senhor que lhes for confiado. Por consequência, como se encontra sem pastor a igreja de Dili que nós erigimos como catedral sufragânea da Igreja de Goa pela bula munida de sêlo de chumbo "Sollemnibus-conventionibus" do dia quatro do mês de Setembro do ano de mil novecentos e quarenta, Nós, ouvido o parecer dos nossos Veneráveis irmãos, os Cardeais da Santa Igreja Romana, com autoridade apostólica, elegemos-te para ela e colocamos-te à sua frente como Bispo e Pastor e outrosim confiamos-te plenamente o cuidado, governo e administração da mesma igreja com todos os direitos e privilégios, encargos e obrigações inerentes a este múnus pastoral Queremos, porém, que, observado tudo o mais que é de direito e antes que recebas a consagração episcopal e tomes posse canónica da Diocese que te é confiada, faças profissão de fé católica e os juramentos prescritos, segundo as fórmulas estabelecidas, nas mãos dalgum Bispo católico da tua escolha que esteja na comunhão e graça da Sé Apostólica, com a obrigação de enviares, o mais cedo possível, à Sagrada Congregação Consistorial, exemplares dos mesmos com a tua assinatura e a do dito Bispo e munida de sêlo.

Tendo em vista, além disso, a tua maior comodidade, permitimos-te que possas ser livre e licitamente consagrado Bispo fora de Roma por qualquer Bispo católico da tua escolha a que assistam outros dois Bispos católicos que estejam em graça e comunhão com a Santa Sé Apostólica. Pela presente Bula confiamos o múnus e mandato de te conferir a consagração ao Venerável Irmão Bispo que para tal escolheres. Determinamos, porém, estritamente, que antes de emitir a profissão e os juramentos de que acima falamos, nem tu ouses receber a consagração nem ta dê o Bispo que escolheres sob pena de incorrer nas censuras determinadas pelo direito se desobedeceres a este meu preceito.

Alimentamos, por fim, a firme esperança e confiança de que a Igreja de Dili será dirigida utilmente pelo teu desvelo pastoral e indefeso esforço, assistindo-te propícia a dextra do Senhor, e receberá, com o andar do tempo, maior desenvolvimento nas coisas espirituais e temporais.

Dada em Roma, junto de S. Pedro, aos dez de Outubro do ano de mil novecentos e quarenta e cinco ano sétimo do nosso pontificado.



PIO PAPA, SERVO DOS SERVOS DE DEUS

Aos amados filhos, clero e povo da cidade de Dili, saúde e benção Apostólica.

Tendo Nós pela Bula Apostólica "Sollemnibus Conventionibus", munida do sêlo de chumbo e datada do 1 és de Setembro do ano do Senhor de mil novecentos e quarenta, erigido em Catedral Sufragânea da igreja Metropolitana de Goa, a vossa Igreja de Dili ouvido hoje o parecer dos Veneráveis Irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana, elegemos com a Nossa autoridade Apostólica para a mesma Igreja, ainda não provida de Pastor, o Nosso dilecto filho Jaime Garcia Goulart até agora Administrador Apostólico da vossa Diocese, e dela o constituímos Bispo e Pastor. Com esta nossa Bula a todos vós damos conhecimento disto e vos mandamos no Senhor que, recebendo com veneração e acatando com a devida honra Jaime, vosso Bispo eleito, presteis obediência aos seus mandatos e avisos salutares e o considereis com reverência como o Pai e Pastor das vossas almas de modo que ele se regozije, no Senhor de vos ter como filhos dedicados e vós de o ter como Pai benevolente.

Outrosim determinamos e mandamos que sob o cuidado e obrigação do mesmo Ordinário, o qual presentemente rege a vossa Diocese, seja lida publicamente esta Nossa Bula, do púlpito da Igreja Catedral, no primeiro dia de preceito que se seguir à sua recepção.

Dado em Roma, junto de S. Pedro, no ano do Senhor de mil novecentos e quarenta e cinco, no dia dez do mês de Outubro no ano sétimo do Nosso Pontificado. Pelo Chanceler da Santa Igreja Romana, Cardeal Januário Granito Pignatelli di Belmonte, Decano do Sacro Colégio.



Nessa longínqua diocese teve papel preponderante o realizado por Salesianos, jesuítas, pelas Irmãs canossianas e dominicanas do SS. Rosário. Elementos estatísticos indicavam que em 1966 possuía 15 paróquias para 131 455 fiéis de entre uma população de 574.805 habitantes, ao cuidado de quatro dezenas de sacerdotes.

Dando mostras de cansaço e com a saúde abalada, D. Jaime pediu à Santa Sé a nomeação de um bispo coadjutor com sucessão, vindo a resignar em 31 de Janeiro de 1967, permanecendo como bispo titular de Trofimiana. Difundiu um comunicado alegando as razões do seu afastamento. Exara-se seguidamente esse documento:

COMUNICADO OFICIAL (2)

Devido ao meu precário estado de saúde e fadiga, após tão longos anos de permanência em Timor, e tendo verificado que, por esses motivos, não podia atender a todas as obrigações do meu cargo, solicitei, há dois anos, à Santa Sé um coadjutor, que, de facto, me foi benignamente concedido na pessoa de Sua Ex. Revm.ª o Senhor D. José Joaquim Ribeiro.

Desde então ficou prevista a minha resignação do cargo de Bispo da Diocese de Dili e, nessa previsão, o meu Coadjutor foi já nomeado com direito de futura sucessão.

Encontrando-se na Diocese, há quase um ano, Sua Ex.ª Revm.ª o Senhor D. José Joaquim Ribeiro, e não tendo desaparecido, antes pelo contrário agravado, como era de esperar, as razões que me levaram a solicitar o Coadjutor, entendi ser dever de consciência submeter ao Santo Padre, como efectivamente submeti em Setembro último, o meu pedido de resignação e exoneração.

Pode causar alguma estranheza, tomando em consideração apenas a minha idade, o facto de eu ter formulado esse pedido.

A verdade, porém, é que todas as circunstâncias apontadas e ainda mais o condicionalismo particular desta vasta Diocese, me colocam no caso, em que, segundo a mente do Concílio Vaticano II e as subsequentes recomendações do Santo Padre, se torna aconselhável a resignação de um Bispo. Aguardemos, pois, a decisão de Sua Santidade, que espero não tardará e há-de ser, como sempre são todas as decisões de Vigário de Cristo, para maior glória de Deus e bem espiritual das almas. Dili. 28 de Dezembro de 1966. Jaime Garcia Goulart, Bispo de Dili.



Ao pronunciar as palavras da sua despedida da diocese timorense, que serviu anos a fio desveladamente, D. Jaime exprimia-se comovido: há trinta e três anos, pela primeira vez , pisei terras de Timor e tomei contacto com a sua gente. Desde então para cá, se tem vindo, dia a dia, apertando os laços de espiritual afecto, que me ligam a este bom Povo Timorense, laços que ainda mais fortemente a ele me vinculou a cruz episcopal Por isso, certamente me não levareis a mal que, na angústia deste momento, eu me ampare a alguns pensamentos de conforto e esperança. De todos o maior é o de Ter podido dotar a diocese de um seminário e de ter visto já os seus primeiros e benéficos frutos. O Reino de Deus em Timor não se dilatará nem consolidará sem numerosos e santos sacerdotes timorenses. Outro motivo de satisfação: o consolador e sempre crescente aumento da comunidade cristã. Recebi a diocese com 30 000 católicos. Entrego-a com mais de 150 000. Ainda e só mais uma reconfortante verificação: durante o meu episcopado vi subir o número de alunos das escolas missionárias de 1500 para 8000. Cessam as minhas funções de pastor directamente responsável por esta porção dilecta da Grei Cristã. Não cessam, porém, as de bispo da Igreja Católica. De algum modo continuo presente em Timor. Presente, por dever de membro do colégio Episcopal, presente por afecto e gratidão; presente nas minhas orações e nos meus sacrifícios, presente pela minha imorredoira saudade.



D. Jaime foi agraciado pelo governo português com o oficialato da Ordem do Infante D. Henrique, que lhe foi concedido por decreto de 23 de Maio de 1964. Considerado de uma grande e proverbial modéstia, D. Jaime quando na intimidade e em devaneio com os seus mais íntimos revela-se um conversador inigualável e extremamente afectuoso e simples. Com uma "cultura enciclopédica" ao que se afirma sem favor a todos tem o dom de conquistar seja qual for o credo, a ideologia ou a nacionalidade. Nele não residem preconceitos de raças ou de cor. A palavra divina. proferida do alto do púlpito, rica de imagens, de saber e de experiência, a todos se dirige por igual.



D. Jaime regressou aos Açores em Agosto de 1967 e foi residir na Horta, ilha do Faial e depois no Pico, onde dirigiu a obra da Casa de S. José, na Candelária da ilha do Pico. Viveu nos últimos anos da sua vida em Rabo de Peixe e em Ponta Delgada em casa de familiares seus, na ilha de S. Miguel, e Angra teve ocasião de o rever e relembrar por altura das solenidades com que se reiniciou o culto da Sé de Angra, em 3 de Novembro de 1985. "Dedicado de alma e coração ao seu povo timorense", recebeu a visita de D. Carlos Ximenes Belo, que o inteirou da situação do martirizado povo.

Faleceu, com 89 anos, na cidade de Ponta Delgada a 15 de Abril na clínica do Bom Jesus, onde se encontrava internado deste 8 de Março daquele ano (3) .

____________

Notas

1. Seara, direcção e edição do P.' Ezequiel Enes Pascoal, Imprensa Nacional de Timor, ano 1, n.º 1, Janeiro 1949.

2. Boletim Eclesiástico da Diocese de Dili, ano V. n.,, 1. 10 Jan. 1967

3. Cf. Boletim Eclesiásticos dos Açores, nº 848, 1997


 




publicado por magdala às 02:39
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008
SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

6 de Janeiro de 2008


 

 

A liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.

A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem excepção.

A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.


 

Dehonianos



publicado por magdala às 01:40
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008
Sinais Exteriores da Beleza do Natal
    Não há dúvida que a beleza e a harmonia dos nossos templos ajudam-nos a viver as celebrações litúrgicas, pois convidam-nos a contemplar a verdadeira beleza da presença de Deus nas nossas vidas.
    A pedido de cristãos da Comunidade Paroquial da Matriz de Santa Maria Madalena, deixamos aqui o registo fotográfico da nossa Matriz neste Natal de 2007, com uma palavra de apresso ás senhoras que nos proporcionaram tamanha beleza. Bem hajam!

















 








































































publicado por magdala às 02:28
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008
Família Humana, Comunidade de Paz

Mensagem de Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz

1 De Janeiro de 2008

 


1. No início de um novo ano, desejo fazer chegar os meus ardentes votos de paz, acompanhados duma calorosa mensagem de esperança, aos homens e mulheres do mundo inteiro; faço-o, propondo à reflexão comum o tema com que abri esta mensagem e que me está particularmente a peito: Família humana, comunidade de paz. Com efeito, a primeira forma de comunhão entre pessoas é a que o amor suscita entre um homem e uma mulher decididos a unir-se estavelmente para construírem juntos uma nova família. Entretanto, os povos da terra também são chamados a instaurar entre si relações de solidariedade e colaboração, como convém em membros da única família humana: «Os homens – sentenciou o Concílio Vaticano II – constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro género humano (Act 17, 26); têm também todos um só fim último, Deus».

 

Família, sociedade e paz

 

2. A família natural, enquanto comunhão íntima de vida e de amor fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher, constitui «o lugar primário da ‘‘humanização'' da pessoa e da sociedade», o «berço da vida e do amor». Por isso, a família é justamente designada como a primeira sociedade natural, «uma instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas, como protótipo de todo o ordenamento social».

 

3. Com efeito, numa vida familiar «sã» experimentam-se algumas componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs; a função da autoridade manifestada pelos pais; o serviço carinhoso aos membros mais débeis, porque pequenos doentes ou idosos; a mútua ajuda nas necessidades da vida; a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, perdoar-lhe. Por isso, a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz. Não admira, pois, que a violência, quando perpetrada em família, seja sentida como particularmente intolerável. Deste modo, quando se diz que a família é «a primeira célula vital da sociedade», afirma-se algo de essencial. A família é fundamento da sociedade inclusivamente porque permite fazer decisivas experiências de paz. Devido a isso, a comunidade humana não pode prescindir do serviço que a família realiza. Onde poderá o ser humano em formação aprender melhor a apreciar o «sabor» genuíno da paz do que no «ninho» primordial que a natureza lhe prepara? A linguagem familiar usa um léxico de paz; aqui é necessário recorrer sempre para não perder o uso do vocabulário da paz. Na inflação das linguagens, a sociedade não pode perder a referência àquela «gramática» que cada criança aprende dos gestos e olhares da mãe e do pai, antes mesmo das suas palavras.

 

4. Uma vez que a família tem o dever de educar os seus membros, a mesma é titular de direitos específicos. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, que constitui uma aquisição de civilização jurídica de valor verdadeiramente universal, afirma que «a família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito a ser protegida pela sociedade e pelo Estado». Por seu lado, a Santa Sé quis reconhecer uma especial dignidade jurídica à família, publicando a Carta dos Direitos da Família. Lê-se no Preâmbulo: «Os direitos da pessoa, ainda que expressos como direitos do indivíduo, têm uma dimensão social fundamental, que encontra na família a sua expressão originária e vital». Os direitos enunciados na Carta são expressão e explicitação da lei natural, inscrita no coração do ser humano e que lhe é manifestada pela razão. A negação ou mesmo a restrição dos direitos da família, obscurecendo a verdade sobre o homem, ameaça os próprios alicerces da paz.

 

5. Deste modo quem, mesmo inconscientemente, combate a instituição familiar, debilita a paz na comunidade inteira, nacional e internacional, porque enfraquece aquela que é efectivamente a principal «agência» de paz. Este é um ponto que merece especial reflexão: tudo o que contribui para debilitar a família fundada sobre o matrimónio de um homem e uma mulher, aquilo que directa ou indirectamente refreia a sua abertura ao acolhimento responsável de uma nova vida, o que dificulta o seu direito de ser a primeira responsável pela educação dos filhos, constitui um impedimento objectivo no caminho da paz. A família tem necessidade da casa, do emprego ou do justo reconhecimento da actividade doméstica dos pais, da escola para os filhos, de assistência sanitária básica para todos. Quando a sociedade e a política não se empenham a ajudar a família nestes campos, privam-se de um recurso essencial ao serviço da paz. De forma particular os meios de comunicação social, pelas potencialidades educativas de que dispõem, têm uma responsabilidade especial de promover o respeito pela família, de ilustrar as suas expectativas e os seus direitos, de pôr em evidência a sua beleza.

 

A humanidade é uma grande família

 

6. A própria comunidade social, para viver em paz, é chamada a inspirar-se nos valores por que se rege a comunidade familiar. Isto vale tanto para as comunidades locais como nacionais; mais, vale para a própria comunidade dos povos, para a família humana que vive nesta casa comum que é a Terra. Numa tal perspectiva, porém, não se pode esquecer que a família nasce do «sim» responsável e definitivo de um homem e de uma mulher e vive do «sim» consciente dos filhos que pouco a pouco passam a fazer parte dela. Para prosperar, a comunidade familiar tem necessidade do consenso generoso de todos os seus membros. É preciso que esta consciência se torne convicção partilhada também por quantos são chamados a formar a família humana comum. É necessário saber dizer o «sim» pessoal a esta vocação que Deus inscreveu na nossa própria natureza. Não vivemos uns ao lado dos outros por acaso; estamos todos a percorrer um mesmo caminho como homens e por isso como irmãos e irmãs. Desta forma, é essencial que cada um se empenhe por viver a própria vida em atitude de responsabilidade diante de Deus, reconhecendo n'Ele a fonte originária da existência, própria e alheia. É subindo até este Princípio supremo que se pode perceber o valor incondicional de todo o ser humano, colocando as premissas para a edificação duma humanidade pacificada. Sem este Fundamento transcendente, a sociedade é apenas uma agregação de vizinhos, e não uma comunidade de irmãs e irmãos chamados a formar uma grande família.

 

Família, comunidade humana e ambiente

 

7. A família precisa duma casa, dum ambiente à sua medida onde tecer as próprias relações. No caso da família humana, esta casa é a Terra, o ambiente que Deus criador nos deu para que o habitássemos com criatividade e responsabilidade. Devemos cuidar do ambiente: este foi confiado ao homem, para que o guarde e cultive com liberdade responsável, tendo sempre como critério orientador o bem de todos. Obviamente, o ser humano tem um primado de valor sobre toda a criação. Respeitar o ambiente não significa considerar a natureza material ou animal mais importante do que o homem; quer dizer antes não a considerar egoisticamente à completa disposição dos próprios interesses, porque as gerações futuras também têm o direito de beneficiar da criação, exprimindo nela a mesma liberdade responsável que reivindicamos para nós. Nem se hão-de esquecer os pobres, em muitos casos excluídos do destino universal dos bens da criação. Actualmente a humanidade teme pelo futuro equilíbrio ecológico. Será bom que as avaliações a este respeito se façam com prudência, no diálogo entre peritos e cientistas, sem acelerações ideológicas para conclusões apressadas e sobretudo pondo-se conjuntamente de acordo sobre um modelo de progresso sustentável, que garanta o bem-estar de todos no respeito dos equilíbrios ecológicos. Se a tutela do ambiente comporta os seus custos, estes devem ser distribuídos com justiça tendo em conta a disparidade de desenvolvimento dos vários países e a solidariedade com as futuras gerações. Prudência não significa deixar de assumir as próprias responsabilidades e adiar as decisões; significa antes assumir o empenho de decidir juntos depois de ter ponderado responsavelmente qual a estrada a percorrer, com o objectivo de reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho.

 

8. A tal propósito, é fundamental «sentir» a terra como «nossa casa comum» e escolher, para uma gestão da mesma ao serviço de todos, a estrada do diálogo em vez de decisões unilaterais. Podem-se aumentar, se for necessário, os lugares institucionais a nível internacional, para se enfrentar conjuntamente o governo desta nossa «casa»; mas, o que mais conta é fazer amadurecer nas consciências a convicção da necessidade de colaborar responsavelmente. Os problemas que se desenham no horizonte são complexos e o tempo escasseia. Para fazer frente de maneira eficaz à situação, é preciso agir de comum acordo. Um âmbito onde seria particularmente necessário intensificar o diálogo entre as nações é o da gestão dos recursos energéticos do planeta. A tal respeito, uma dupla urgência preme sobre os países tecnologicamente avançados: é preciso, por um lado, rever os elevados níveis de consumo devido ao modelo actual de progresso e, por outro, providenciar adequados investimentos para a diferenciação das fontes de energia e o melhoramento da sua utilização. Os países emergentes sentem carência de energia, mas às vezes esta carência é remediada prejudicando os países pobres, que, pela insuficiência das suas infra-estruturas nomeadamente tecnológicas, se vêem obrigados a vender ao desbarato os recursos energéticos em seu poder. Às vezes a sua própria liberdade política é posta em discussão por formas de protectorado ou, em todo o caso, de condicionamento que acabam por ser claramente humilhantes.

 

Família, comunidade humana e economia

 

9. Condição essencial para a paz nas famílias é que estas assentem sobre o alicerce firme de valores espirituais e éticos compartilhados. No entanto, é preciso acrescentar que a família experimenta autenticamente a paz quando a ninguém falta o necessário, e o património familiar – fruto do trabalho de alguns, da poupança de outros e da colaboração activa de todos – é bem gerido na solidariedade, sem excessos nem desperdício. Para a paz familiar, portanto, é necessária a abertura a um património transcendente de valores, mas, simultaneamente, há que não menosprezar a sapiente gestão quer dos bens materiais quer das relações entre as pessoas. O falhanço nesta componente tem como consequência a quebra da confiança recíproca devido às perspectivas incertas que passam a pairar sobre o futuro do núcleo familiar.

 

10. O mesmo se diga daquela grande família que é a humanidade no seu todo. De facto a família humana, que hoje aparece ainda mais interligada pelo fenómeno da globalização, além de um alicerce de valores compartilhados, tem necessidade também de uma economia que corresponda verdadeiramente às exigências de um bem comum com dimensões planetárias. A referência à família natural revela-se, sob este ponto de vista também, singularmente sugestiva. Entre os indivíduos humanos e entre os povos, é preciso promover relações correctas e sinceras, que permitam a todos colaborarem num plano de paridade e justiça. Ao mesmo tempo, tem de se trabalhar por uma sábia utilização dos recursos e uma equitativa distribuição da riqueza. De forma particular, as ajudas concedidas aos países pobres devem obedecer a critérios duma lógica económica sã, evitando desperdícios que no fim de contas resultam sobretudo do funcionamento de custosos aparelhos burocráticos. É preciso ter em devida conta também a exigência moral de fazer com que a organização económica não obedeça somente às duras leis do lucro imediato, que se podem revelar desumanas.

 

Família, comunidade humana e lei moral

 

11. Uma família vive em paz se todos os seus componentes se sujeitam a uma norma comum: é esta que impede o individualismo egoísta e que mantém unidos os indivíduos, favorecendo a sua coexistência harmoniosa e laboriosidade para o fim comum. Tal critério, em si óbvio, vale também para as comunidades mais amplas: desde as locais passando pelas nacionais, até à própria comunidade internacional. Para se gozar de paz, há necessidade duma lei comum que ajude a liberdade a ser verdadeiramente tal, e não um arbítrio cego, e que proteja o fraco da prepotência do mais forte. Na família dos povos, verificam-se muitos comportamentos arbitrários, seja dentro dos diversos Estados seja nas relações destes entre si. Além disso, não faltam situações em que o fraco tem de inclinar a cabeça não frente às exigências da justiça mas à força nua e crua de quem possui mais meios do que ele. É preciso repeti-lo: a força há-de ser sempre disciplinada pela lei, e isto mesmo deve acontecer também nas relações entre Estados soberanos.

 

12. Sobre a natureza e a função da lei, já muitas vezes se pronunciou a Igreja: a norma jurídica que regula as relações das pessoas entre si, disciplinando os comportamentos externos e prevendo também sanções para os transgressores, tem como critério a norma moral assente na natureza das coisas. A razão humana, por sua vez, é capaz de discerni-la, pelo menos nas suas exigências fundamentais, subindo assim até à Razão criadora de Deus que está na origem de todas as coisas. Esta norma moral deve regular as opções das consciências e guiar todos os comportamentos dos seres humanos. Existirão normas jurídicas para as relações entre as nações que formam a família humana? E, se existem, serão operativas? Eis a resposta: sim, as normas existem, mas para fazer com que sejam verdadeiramente operativas é preciso subir até à norma moral natural como base da norma jurídica; de contrário, esta fica à mercê de frágeis e provisórios consensos.

 

13. O conhecimento da norma moral natural não está vedado ao homem que entre em si mesmo e, tendo diante dos olhos o próprio destino, se interrogue sobre a lógica interna das mais profundas inclinações presentes no seu ser. Embora com perplexidades e incertezas, ele pode chegar a descobrir, pelo menos nas suas linhas essenciais, esta lei moral comum que, independentemente das diferenças culturais, permite aos seres humanos entenderem-se entre si quanto aos aspectos mais importantes do bem e do mal, do justo e do injusto. É imprescindível subir até esta lei fundamental, empenhando nesta pesquisa as nossas melhores energias intelectuais sem deixar-se desanimar por equívocos nem confusões. Com efeito, valores radicados na lei natural estão presentes, ainda que de forma fragmentária e nem sempre coerente, nos acordos internacionais, nas formas de autoridade universalmente reconhecidas, nos princípios do direito humanitário recebido nas legislações dos diversos Estados ou nos estatutos dos organismos internacionais. A humanidade não está «sem lei». É urgente, porém, prosseguir o diálogo sobre estes temas, favorecendo a convergência das próprias legislações dos diversos Estados sobre o reconhecimento dos direitos humanos fundamentais. O crescimento da cultura jurídica no mundo depende, para além do mais, do esforço de tornar as normas internacionais sempre substanciosas de conteúdo profundamente humano, para evitar a sua redução a procedimentos facilmente contornáveis por motivos egoístas ou ideológicos.

 

Superação dos conflitos e desarmamento

 

14. A humanidade vive hoje, infelizmente, grandes divisões e fortes conflitos que lançam densas sombras sobre o seu futuro. Temos vastas áreas do planeta envolvidas em tensões crescentes, enquanto o perigo de se multiplicarem os países detentores de armas nucleares cria motivadas apreensões em toda a pessoa responsável. Há ainda muitas guerras civis no continente africano, embora também se tenham registado em vários dos seus países progressos na liberdade e na democracia. O Médio Oriente continua a ser teatro de conflitos e atentados, que não deixam de influenciar nações e regiões limítrofes com o risco de arrastá-las na espiral da violência. A nível mais geral, há que registar, com tristeza, um número maior de Estados envolvidos na corrida aos armamentos: temos até nações em vias de desenvolvimento que destinam uma quota importante do seu magro produto interno para a compra de armas. Neste funesto comércio, são muitas as responsabilidades: há os países do mundo industrialmente desenvolvido que arrecadam avultados lucros da venda de armas e temos as oligarquias reinantes em muitos países pobres que pretendem reforçar a sua posição com a aquisição de armas cada vez mais sofisticadas. Em tempos tão difíceis, é verdadeiramente necessária a mobilização de todas as pessoas de boa vontade para se encontrarem acordos concretos que visem uma eficaz desmilitarização, sobretudo no campo das armas nucleares. Nesta fase em que o processo de não-proliferação nuclear marca passo, sinto-me no dever de exortar as Autoridades a retomarem, com a mais firme determinação, as conversações em ordem ao desmantelamento progressivo e concordado das armas nucleares existentes. Ao renovar este apelo, sei que dou voz a um desejo compartilhado por quantos têm a peito o futuro da humanidade.

 

15. Há 60 anos, a Organização das Nações Unidas tornava pública, de maneira solene, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948-2008). Com tal documento, a família humana reagia aos horrores da II Guerra Mundial, reconhecendo a sua própria unidade assente na igual dignidade de todos os homens e pondo, no centro da convivência humana, o respeito pelos direitos fundamentais dos indivíduos e dos povos: tratou-se de um passo decisivo no árduo e empenhativo caminho da concórdia e da paz. Merece também menção especial a passagem do 25.º aniversário da adopção pela Santa Sé da Carta dos Direitos da Família (1983-2008), bem como o 40.º aniversário da celebração do primeiro Dia Mundial da Paz (1968-2008). Fruto duma providencial intuição do Papa Paulo VI, retomada com grande convicção pelo meu amado e venerado predecessor, Papa João Paulo II, a celebração deste Dia proporcionou ao longo dos anos a possibilidade de a Igreja desenvolver, através das Mensagens publicadas para tal circunstância, uma doutrina elucidativa em defesa deste bem humano fundamental. É precisamente à luz de tais significativas comemorações que convido todo o homem e toda a mulher a tomarem consciência mais lúcida da sua pertença comum à única família humana e a empenharem-se para que a convivência sobre a terra espelhe cada vez mais esta convicção, da qual depende a instauração de uma paz verdadeira e duradoura. Em seguida, convido os crentes a implorarem de Deus, sem cessar, o grande dom da paz. Os cristãos, por seu lado, sabem que podem confiar-se à intercessão d'Aquela que, sendo Mãe do Filho de Deus encarnado para a salvação da humanidade inteira, é Mãe comum.

 

A todos desejo um feliz Ano Novo!

 

Vaticano, 8 de Dezembro de 2007

 

BENEDICTUS PP. XVI



publicado por magdala às 22:40
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