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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
D. AURÉLIO GRANADA É "EXEMPLO DE CATOLICISMO"



Noticia do Jornal "A União" de 30 de Agosto de 2012


D. Aurélio Granada Escudeiro “é um exemplo de dedicação ao catolicismo e de apego aos açorianos”, assim elogiou o bispo de Angra, que ontem à tarde, pelas 15H00, presidiu à missa fúnebre do bispo emérito de Angra na Sé.


De acordo com D. António Sousa Braga, o seu antecessor lega um “grande empenhamento, generosidade e entrega ao serviço da Igreja”.


D. Aurélio, natural de Alcains, Diocese de Portalegre-Castelo Branco, “passou 22 anos de ministério episcopal em Angra e manteve sempre uma relação de afecto com os Açores”, sublinhou o actual prelado.


“Tenho uma grande ligação a D. Aurélio não só porque sou o seu sucessor mas também porque foi ele que me ordenou bispo, em 1996”, salientou D. António Braga, acrescentando que o seu antecessor, depois de renunciar ao cargo, “nunca se imiscuiu no governo da diocese e soube sempre ser respeitoso”.


O bispo emérito de Angra falecido aos 92 anos entrou na diocese açoriana, então como prelado coadjutor, cerca de um mês após a revolução de 25 de Abril de 1974, que instaurou o regime democrático em Portugal.


BISPADO EM “TEMPOS DIFÍCEIS”

“Viveu momentos difíceis” numa época em que se fizeram ouvir as vozes pela independência do arquipélago, incluindo as de alguns sacerdotes, recorda D. António Braga, que também destacou o papel do predecessor na “renovação da Igreja” proporcionada com a aplicação das medidas do Concílio Vaticano II (1962-1965).


“Os Açores são um território descontínuo pelo que não é fácil levar para a frente um programa pastoral que se aplique em todas as ilhas”, lembrou o actual bispo, que também realçou a actuação de D. Aurélio enquanto promotor dos movimentos laicais e a sua acção após o sismo ocorrido a 1 de Janeiro de 1980.


O terramoto causou a morte a cerca de 50 pessoas e a destruição de mais de metade das edificações na Terceira, sede da diocese e a ilha mais afectada, tendo também provocado 20 vítimas mortais em São Jorge, que à semelhança da Graciosa sofreu importantes estragos materiais.


DEVOÇÃO EUCARÍSTICA

Na homilia que pronunciou durante a missa, o bispo de Angra acentuou que D. Aurélio “procurou viver e transmitir a fé” e deu “um grande testemunho da devoção eucarística”: “Até poucos dias antes da morte a sua principal acção de cada dia era a celebração da missa”.


D. António Braga falou ainda do “reconhecimento da diocese pelo serviço que prestou e sobretudo pela grande estima que manifestou sempre aos açorianos”.


“Para quem não nasceu nos Açores não é fácil compreender a religiosidade popular das ilhas mas D. Aurélio, tendo vindo de fora, conseguiu inculturar-se na nossa maneira de ser, exprimir e viver a fé”, concluiu.


Ao Bispo Emérito CLERO E CATÓLICOS EM ÚLTIMA HOMENAGEM

Foram muitos os que se deslocaram à Sé de Angra para participar nas exéquias fúnebres de D. Aurélio Granada, bispo emérito de Angra, que faleceu no sábado passado.


Depois de o seu corpo ter estado em câmara ardente na catedral entre as 08H30 e as 14H30, com os católicos a prestaram e sua última homenagem, seja através de orações, na entrega de flores ou na assinatura do livro de condolências, à hora do funeral os sinos das igrejas paroquiais tocaram as laudas próprias da circunstância, e a missa, presidida pelo bispo diocesano foi concelebrada por padres da ilha Terceira e de outras ilhas, além do pároco de Alcains.


Recordamos que D. Aurélio Granada Escudeiro faleceu em Ponta Delgada, tendo os  restos mortais sido transportados para a ilha Terceira, conforme vontade sua.


CLERO, FAMÍLIA E INSTITUIÇÕES

Na cerimónia estiverem presentes, além dos familiares do bispo emérito e do clero, membros de diversas instituições, nomeadamente, do representante da República, do Governo Regional, além de autárquicos, civis e militares.


Os agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas (CNE) fizeram guarda de honra e transportaram a urna, tendo os cânticos da cerimónia ficado a cargo do Grupo Coral da Sé.


Depois da missa, o cortejo fúnebre partiu em direcção ao Cemitério de Nossa Senhora do Livramento, em Angra do Heroísmo, onde o bispo emérito foi sepultado no jazigo da diocese, onde foi sepultado há 90 anos D. João Maria Damasceno, natural de Oleiros, da mesma diocese de D. Aurélio Granada Escudeiro.


MISSA EXEQUIAL DE D.AURÉLIO

D. Aurélio, homem de fé, distinguiu-se pela piedade eucarística. Quando exprimiu o desejo de passar nos Açores a última etapa da sua vida e ser sepultado em Angra, a única condição que punha, para escolher o local de residência, é que fosse possível celebrar a Eucaristia, todos os dias, enquanto tivesse forças para isso. E foi o que aconteceu, até poucos dias antes do seu falecimento.


3. Homem de fé, D. Aurélio foi um homem de Igreja, que serviu com toda a dedicação e coerência, pondo sempre em primeiro lugar a sua missão. Num momento histórico nada fácil: período do pós 25 de Abril, com toda a problemática da autonomia e dos movimentos independentistas. Na década de 80, viveu as consequências do sismo, com todo o empenhamento na reconstrução, também dos edifícios religiosos. Sem falar, em toda a problemática eclesial do pós-concílio, na busca dos melhores caminhos da renovação da Igreja.


Na Mensagem da despedida, afirma ele: «Nem sempre foi fácil romper o caminho, que, em certos pontos se impunha, como nem sempre foi agradável dizer a verdade ou tomar certas atitudes… Tratava-se de proclamar a verdade, que é sempre o melhor serviço, que pode prestar-se».


Mesmo saindo da Diocese, manteve-se afectivamente ligado a ela, visitando-a, de vez em quando e nunca faltando às Grandes Festas em honra do Senhor Santo Cristo. Mas devo dizer em abono da verdade que no contacto com a Diocese, nunca interferiu no seu governo. Nisto foi realmente um senhor: honra lhe seja feita!


Eis o que diz aos Açorianos, na Mensagem de despedida:

«Agradável foi viver convosco e para vós: poder saborear vossa amizade, verificar vossa fé e generosidade, testemunhar vosso amor à terra que vos foi berço e à Igreja em que fostes baptizados...


«A todos os Açorianos deixo a certeza do meu afecto e grande reconhecimento por sua delicadeza e generosidade, com admiração por suas qualidades e virtudes, que desejo se aprimorem no amor a Deus e à Igreja..».

Assim seja!


+ António, Bispo de Angra



publicado por magdala às 03:15
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