O PENSAR, SENTIR E VIVER MADALENENSE. UM ESPAÇO DE PARTILHA E DIÁLOGO QUE MARCA PELA DIFERENÇA E QUALIDADE
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
Nota Pastoral da Quaresma

 

“EDIFICAR O BEM COMUM, TAREFA DE TODOS E DE CADA UM”


É o tema da Semana Nacional da Caritas, que vai decorrer de 4 a 11 de Março de 2012. Um dos pilares da Doutrina Social da Igreja é, precisamente, o “bem comum”, que é, por definição, o bem de todos e não apenas deste ou daquele grupo.

Todos somos responsáveis por todos. O tema da Semana da Caritas deste ano constitui um apelo nesse sentido: “Edificar o bem comum, tarefa de todos e de cada um”. Sem o contributo de todos, não podemos sair desta crise, que exige mudança de paradigma e de modelo de desenvolvimento. Mas não bastam as mudanças de estruturas. É preciso a mudança de  mentalidade e de comportamentos.

Foi o apelo de Jesus, logo no início do Seu ministério público, que a Igreja faz seu, com muito vigor, no tempo da Quaresma: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está perto: mudai de vida e acreditai na Boa Nova» (Mc 1, 15).

Nós acreditamos que o Reino de Deus – Reino de Justiça, Amor e Paz – inaugurado por Jesus, está presente e actuante no meio de nós, mesmo no meio das contrariedades da vida e das contradições da história. Aqui está a base da nossa esperança, que nos compromete na construção de um mundo melhor.

Mas nada é dado como definitivamente adquirido. O ser humano é livre. Cada geração tem de assumir e promover os valores genuínos, que estão na base da nossa sociedade, que são de clara  matriz cristã.

Por outro lado, não podemos esquecer que somos criaturas limitadas. Nem tudo pode dar certo. Por vezes falhamos e usamos mal a liberdade e não temos discernimento suficiente para avaliar as situações. Mas nem por isso deixaremos de arriscar, rectificando o caminho, conforme o andamento das coisas. Temos de ser capazes de começar de novo, todas as vezes que for necessário.

A Quaresma é esse tempo favorável para recomeçar e mudar de vida, assumindo os valores evangélicos, como caminho de humanização da vida pessoal, familiar e comunitária. Como explica o Santo Padre, há uma única maneira de alguém se tornar humano: amar e ser amado.

A Quaresma oferece-nos a oportunidade de voltarmos ao cerne do Evangelho: o amor. «Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o “guarda” dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão» (Bento XVI, Mensagem Quaresma 2012).

Nesta conformidade, como no ano passado, a Renúncia Quaresmal de 2012 destina-se a reforçar o Fundo Social da Caritas, que, conforme orientações do seu Conselho Geral, além do socorro imediato, tem de abrir caminho ao microcrédito para o auto-emprego, em casos devidamente estudados e acompanhados.

No ano passado, a Diocese recebeu como Renúncia Quaresmal 16.231 euros e 63 cêntimos. Este ano, precisamente, porque aumentaram as dificuldades, não pode diminuir a solidariedade.  A situação, que nos toca viver, é excepcional. Tem de haver gestos excepcionais, para superarmos todos juntos a crise actual.  Não vamos dar apenas do supérfluo – do que nos resta – mas do fruto de renúncias voluntárias. É uma boa penitência quaresmal pôr um travão ao consumo exagerado e partilhar com os outros.

Os ofertórios das Missas do Dia da Caritas (fim de semana: 10-11 de Março) têm o mesmo destino. Como a Renúncia Quaresmal, devem ser enviados directamente para a Câmara Eclesiástica, que, por sua vez, os fará chegar à Caritas Diocesana.

A Caritas é o serviço oficial da Igreja, encarregado de organizar a acção social, como expressão da comunidade cristã. Onde não há outros grupos ou movimentos de pastoral social, é de toda a conveniência que se crie um Núcleo de Caritas. Não só devido à situação de emergência social, que vivemos, mas também porque, numa comunidade cristã, o Serviço da Caridade é tão importante e essencial como a Evangelização, a Catequese  e a Liturgia.

«A Igreja não pode descurar o Serviço da Caridade, como não pode negligenciar os Sacramentos, nem a Palavra» - adverte o Papa (Bento XVI, Deus Caritas Est, nº 22). O modelo a seguir é o do Bom Samaritano: deitar a mão e cuidar de quem jaz na berma da estrada. Mas é preciso também saber encaminhar, promover as pessoas e actuar nas causas da pobreza e da injustiça. No vasto repertório da Doutrina Social da Igreja, há uma série de princípios e de critérios, que precisam ser retomados e aplicados, hoje mais do que nunca.

Antes de mais, os dois pilares fundamentais: a pessoa humana e a sua dignidade, objectivo último de toda a actividade humana, também da economia; e o bem comum, a que nos referimos anteriormente. Depois, há os dois princípios, que devem orientar toda a vida em sociedade: a solidariedade, que nos torna responsáveis uns pelos outros, como víamos antes; e a subsidariedade, que  leva cada instância a intervir na inferior, só na medida do necessário,  dando espaço à iniciativa e criatividade da comunidade e da sociedade. Daqui derivam as duas virtudes, que nunca podem estar separadas: a justiça e a caridade. Não pode haver caridade sem justiça, nem justiça sem caridade. Caridade é o nome cristão do amor, que tem a sua fonte em Deus, que é Caridade, como nos diz S. João.

Ora, o Amor na Trindade Santíssima chama-se Espírito Santo, que Jesus prometeu enviar e envia, para tornar possível a fraternidade universal. Como muito bem explica o Papa, «a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos» (Bento XVI, Caritas in Veritate, nº 12). Só na medida, em que vivermos sob o “Império do Espírito Santo” é que haverá lugar para todos no banquete da vida.

 

+ António, Bispo de Angra

Ponta Delgada, 8 de Fevereiro de 2012.



publicado por magdala às 05:16
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
A partir de 20 de Março de 2009
geocontador
Julho 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Arquivos

Julho 2014

Junho 2014

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Setembro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Favoritos

Magdala

Hiperligações
Mapa
Globo
Países
blogs SAPO
subscrever feeds