O PENSAR, SENTIR E VIVER MADALENENSE. UM ESPAÇO DE PARTILHA E DIÁLOGO QUE MARCA PELA DIFERENÇA E QUALIDADE
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Núncio Apostólico no Pico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 5 de Maio de 2012
VISITA AOS AÇORES DO SENHOR NÚNCIO APOSTÓLICO

 

Como já foi anunciado, vai realizar-se, de 9 a 16 de Maio de 2012, a visita oficial do Senhor Núncio Apostólico aos Açores, um acontecimento eclesial importante, que não pode, nem deve passar despercebido. D. Rino Passigato foi convidado a presidir à festa do Senhor Santo Cristo deste ano, em Ponta Delgada (13 de Maio de 2012).

Como tem intenção de visitar todas as Dioceses, foi aproveitada esta oportunidade, para se deslocar também a outras Ilhas, contactando igualmente as autoridades regionais e os participantes no Conselho Presbiteral e na Conferência Anual de Ouvidores, que se realizam respectivamente antes e depois da Festa do Senhor Santo Cristo.

 

É uma ocasião propícia para conhecer melhor a realidade da nossa Igreja Particular, inteirar-se dos condicionalismos da sua dispersão geográfica e de ultraperiferia, bem como ajudar-nos a identificar os grandes desafios para a missão da Igreja hoje.

Esta visita é, outrossim, um momento único de comunhão eclesial, que importa sublinhar. A Igreja é «mistério de comunhão», tanto na vertente espiritual e sobrenatural - dom gratuito do Espírito Santo - como também na vertente visível e comunitária, que se exprime na sua organização humana, caracterizada pela fraternidade e pela corresponsabilidade.

 

A Igreja Universal não é propriamente uma federação de Igrejas Particulares, ou uma espécie de «multinacional», com «filiais» espalhadas pelo mundo. Só existe e opera nas Igrejas Particulares. Em cada Diocese está e opera toda a Igreja de Cristo, que, assim, se torna presente e actuante entre o povo de um determinado território, com a sua história e cultura, através da pregação do Evangelho e a celebração da Eucaristia, sob a acção do Espírito Santo e a orientação do Bispo, «princípio e fundamento de unidade» na própria Diocese e elo de comunhão com a Igreja Universal. «Cada um dos Bispos representa a sua Igreja e todos, em união com o Papa – no vínculo da paz, do amor e da unidade - a Igreja inteira» (Lúmen Gentium 23).

 

Assim, a visita do Representante do Santo Padre vem reforçar os laços de comunhão da nossa Igreja Particular com o Romano Pontífice e n’Ele com a Igreja Universal. É, pois, um momento de importância transcendente, que queremos viver com sentido de Igreja e como expressão de comunhão eclesial.

 

Agradecendo a amabilidade e disponibilidade, damos as boas-vindas a Sua Excelência Reverendíssima, desejando que tenha uma boa estadia entre nós. Muito nos honra a Sua presença na nossa Diocese, mesmo na semana em que faz 21 anos da visita histórica do beato João Paulo II aos Açores (11 de Maio de 1991). Mais um sinal de que esta visita vai ser um momento especial de graça para os Açores, no sentido de preservar e promover as suas raízes.

 

A situação actual é de crise, que também nos atinge. Só cerrando fileiras e aprofundando os valores das nossas raízes culturais é que poderemos ultrapassar as presentes dificuldades. Como advertem os nossos Bispos, em recente Nota Pastoral, «a evangelização lançou as bases de uma cultura, veículo de valores e dimensões éticas, que devem ser o alicerce de uma autêntica União Europeia… É esta identidade cultural, enraizada na sua história, que há-de permitir à Europa encontrar o seu papel no mundo global, aspecto que pode ser seriamente ameaçado por visões economicistas da presente crise… A dimensão económica tende a prevalecer sobre a identidade cultural; a matriz cristã da cultura europeia é posta em questão e chega-se mesmo a afirmar que não há uma cultura europeia, esquecendo que sem base cultural não haverá economia de rosto humano…» (Conferência Episcopal Portuguesa, Unidade da Europa, Um Projecto de Civilização, 19 de Abril de 2012).

 

+ António, Bispo de Angra

 

Angra do Heroísmo, 3 de Maio de 2012



publicado por magdala às 16:58
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Primeira Imagem do Beato João Paulo II da Diocese


publicado por magdala às 13:44
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
Núncio Apostólico visita a ilha do Pico

 

No dia 10 de Maio, visitará pela primeira vez a ilha do Pico, um Núncio Apostólico.

Trata-se de D. Rino Passigato, Núncio Apostólico em Portugal, que se deslocará aos Açores em visita oficial à Diocese de Angra, acompanhado pelo Prelado Diocesano D. António de Sousa Braga.

Será uma honra e uma alegria para a Igreja que vive no Pico, receber o representante de Sua Santidade o Papa Bento XVI em Portugal.

O acolhimento a Sua Excelência Reverendíssima, será pelas 19 horas no adro do Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso, em São Mateus, com a presença das autoridades locais, do clero da ilha, dos fieis e da filarmónica Lira de São Mateus, seguindo-se uma celebração Eucarística presidida por D. Rino Passigato, concelebrada pelo clero da Ouvidoria e animada por um coral composto pelas capelas das Paróquias da Zona Pastoral da Madalena.

Terminada a celebração o Senhor Núncio visitará o túmulo do Senhor Cardeal Costa Nunes e a sua casa museu, na freguesia da Candelária, seguindo no dia seguinte para a cidade da Horta.

Recorde-se que o Núncio Apostólico ou Núncio Papal é o representante diplomático permanente da Santa Sé - não do Estado da Cidade do Vaticano - que exerce o posto de embaixador. Representa a Santa Sé perante os Estados (e perante algumas organizações internacionais) e perante a Igreja local. Normalmente reside na nunciatura apostólica, que goza dos mesmos privilégios e imunidades que uma embaixada.

Em Portugal o Núncio Apostólico tem precedência protocolar sobre o resto dos embaixadores, pois é o decano do corpo diplomático.



publicado por magdala às 14:15
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
Santuário do Senhor Bom Jesus entroniza ao culto a 1ª Imagem do Beato João Paulo II da Diocese

O Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus Milagroso, em São Mateus do Pico, será a primeira Igreja da Diocese de Angra a ter ao culto uma imagem do Beato João Paulo II.

No dia 1 de Maio, 1º aniversário da Beatificação de João Paulo II, a imagem será benzida por D. Arquimínio Rodrigues da Costa, Bispo Emérito de Macau, natural e residente nesta paróquia do Pico e que por várias vezes privou com o Papa João Paulo II.

O Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso está sentimentalmente ligado ao Papa João Paulo II, porque aquando da sua visita aos Açores, a 11 de Maio de 1991, na única Missa que celebrou no arquipélago, em Angra do Heroísmo, o cálice usado nessa Eucaristia era pertença deste Santuário. Cálice este que se encontra guardado no tesouro do Santuário e que com a Beatificação de João Paulo II, se tornou uma relíquia que honra este Santuário Diocesano.

A imagem do Beato João Paulo II foi mandada esculpir pelo Santuário ao escultor Alberto da Silva Monteiro, residente em Vila do Conde, esculpida em madeira e com 85 centímetros de altura, representando o Papa com a veste talar papal.

A celebração da entronização ao culto da imagem do Beato João Paulo II, será incluída na celebração da Festa de São José, promovida pela respectiva irmandade, que nesse dia se celebra no Santuário e constará de Missa pelas 16 horas, com a presença do clero da ilha, seguindo-se a procissão com as imagens de São José e do Beato João Paulo II, que pela primeira vez sairá em procissão, acompanhada pela filarmónica Lira de São Mateus.

Nesse mesmo dia o Santuário acolherá o I Encontro de Acólitos da Ouvidoria do Pico, que nesse dia peregrinarão a este Santuário para um encontro de formação, celebração e confraternização, em união com os acólitos de Portugal que estarão também nesse dia a fazer a sua peregrinação anual ao Santuário de Fátima.

 

Imagem do Beato João Paulo II do Santuário do Senhor Bom Jesus

 

 Cálice que o Papa João Paulo usou na única celebração Eucaristica a que presidiu na sua visita aos Açores

Angra, 11 de Maio de 1991

 




publicado por magdala às 17:25
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Domingo, 8 de Abril de 2012
BOAS FESTAS PASCAIS

A todos aqueles que visitam este espaço desejo umas Santas e Felizes Festas da Páscoa

 


 

Cristo Ressuscitou! Aleluia!



publicado por magdala às 02:56
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Sábado, 7 de Abril de 2012
Mensagem de Páscoa do Senhor Bispo de Angra

 

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO: A CORAGEM DA ESPERANÇA


1. Páscoa é «passagem»: da morte à vida, da Paixão à Ressurreição. O Calvário, que culmina com a Morte na Cruz, é caminho que conduz à vitória da vida. São estas duas faces da mesma moeda, que definem o «Mistério Pascal», na sua inteireza: a Paixão desemboca na Ressurreição; não há Ressurreição sem Paixão.

«Ad augusta per angusta» – diziam os antigos: só se chega a coisas sublimes por caminhos estreitos. O que equivale a dizer: tudo o que vale custa. Nada se consegue sem sacrifício. Foi assim com Cristo, o protótipo do homem perfeito. Será assim para todo o discípulo, que segue os «passos» do Mestre.

A Páscoa de Jesus é, pois, mensagem de esperança. Esperança certa no futuro, apesar das dificuldades e contrariedades da vida e da história. Mesmo no meio de todos os sacrifícios, que não são finalidade em si mesmos, mas caminho para uma vida renovada. Como nos garante Cristo Crucificado e Ressuscitado: o que aconteceu à «Cabeça» será também o destino do «Corpo». «O Seu caminho é também o nosso caminho».

Portanto, o rumo está traçado. O «Mistério Pascal» aponta a meta e indica o caminho para lá chegar. Sem «rumo» é que não se chega a lado nenhum. Bem diz o provérbio: «para um veleiro sem rumo, não há ventos favoráveis».


2. A Ressurreição constitui um novo tipo de presença de Jesus, no meio dos Seus: uma presença real, mas invisível – espiritual – que se realiza, precisamente, através do Espírito Santo, que Jesus prometeu enviar e envia, como protagonista da missão de implantar na terra o Reino de Deus: Reino de Justiça, Amor e Paz.

Reino «já» presente e actuante, no mundo em que vivemos, mas «ainda não» completamente realizado. Por isso é objecto de esperança, que compromete, aqui e agora, sob a acção do Espírito Santo, o grande dom do Ressuscitado, que os açorianos veneram, particularmente, no Tempo Pascal. Efectivamente, a Igreja nasce em Pentecostes. Torna-se sinal e instrumento, Sacramento do Reino, precisamente, pelo poder do Espírito Santo, que reúne os homens dispersos numa só família.

Nesse sentido, podemos dizer, com toda a propriedade, que é o Espírito Santo que mais une os açorianos, na riqueza da sua diversidade. É uma comunhão espiritual, que se exprime através da vida comunitária, para a qual muito tem contribuído a Igreja Católica. Na realidade, foi á volta da Igreja e com a Igreja que o povoamento se foi realizando e organizando comunitariamente.

Até podemos dizer que a Diocese foi a primeira experiência de Autonomia. A nível eclesiástico – é verdade – mas com grande impacto na sociedade. Além do resto, pensemos, por exemplo, na acção do Seminário Episcopal – a celebrar, este ano, 150 anos de fundação – que deu um contributo significativo à ideia dos Açores, como um todo.

Evidentemente, a recente experiência de Autonomia contribuiu para consolidar e aprofundar a unidade açoriana. Basta pensar nas facilidades de transportes entre as Ilhas e na melhoria da comunicação social, nomeadamente a Rádio e a TV.


3. Por isso, olhamos com alguma apreensão para a perspectiva de eliminação de programas regionais de Rádio e de Televisão, que têm garantido a informação sobre o que se passa nas paragens mais recônditas das Ilhas. Não podemos reduzir os Açores só às Ilhas com mais população. Que o Espírito Santo a todos ilumine!

Dê o necessário discernimento a quem tem de decidir! E empenho criativo a todos nós cidadãos, para colaborarmos activamente na solução dos problemas, que são de todos nós. Com a certeza de que, após a tempestade vem a bonança e depois do Inverno, a Primavera. É o sentido da Páscoa cristã.

Feliz Páscoa, na esperança que nos vem de Cristo Crucificado e Ressuscitado!


+ António, Bispo de Angra



publicado por magdala às 23:59
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Domingo, 1 de Abril de 2012
Horários da Semana Santa

MATRIZ DA MADALENA

 

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

 

11h45 – Bênção dos ramos no império do Divino Espírito Santo. Procissão até à Matriz.

12h00 – Missa.

 

Terça-Feira Santa

 

15h00 – Exposição do Santíssimo Sacramento

18h00 – Via Sacra

18h30 – Missa

 

Quinta-Feira Santa

 

19h00 – Missa da Ceia do Senhor e Lava-Pés. Adoração ao Santíssimo Sacramento durante toda a noite. A partir da meia-noite, porém, a adoração far-se-á sem solenidade.

 

Sexta-Feira Santa

 

10h00 – Oração de Laudes.

15h00 – Celebração Litúrgica da Paixão e Morte do Senhor.

20h00 – Via Sacra e Procissão do Senhor Morto.

 

Sábado Santo

 

10h00 – Oração de Laudes.

23h00 – Solene Vigília Pascal.

 

Domingo da Ressurreição

  

11h30 – Procissão do Senhor Ressuscitado. Missa Solene de Páscoa.

 


 

SANTUÁRIO DO SENHOR BOM JESUS MILAGROSO

MATRIZ DE SÃO MATEUS

 

 

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

 

09h30 – Bênção dos ramos no império da Santíssima Trindade. Procissão até ao Santuário. Missa.

 

Quarta-Feira Santa

 

17h00 – Exposição do Santíssimo Sacramento

18h00 – Via Sacra

18h30 – Missa

 

Quinta-Feira Santa

 

21h00 – Missa da Ceia do Senhor e Lava-Pés. Adoração ao Santíssimo Sacramento até à meia-noite.

 

Sexta-Feira Santa

 

17h00 – Celebração Litúrgica da Paixão e Morte do Senhor. Procissão do Senhor Morto.

 

Sábado Santo

 

20h30 – Solene Vigília Pascal.

 

Domingo da Ressurreição

  

09h00 – Procissão do Senhor Ressuscitado.Missa Solene de Páscoa.




publicado por magdala às 09:04
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Terça-feira, 20 de Março de 2012
Cinquenta Anos de Elevação a Cardeal de D. José da Costa Nunes - Mensagem de D. António de Sousa Braga

Cinquenta Anos de Elevação a Cardeal de D. José da Costa Nunes


 

Em nome da Diocese de Angra e em meu nome pessoal, associo-me, com toda a satisfação, à comemoração das Bodas de Ouro de Elevação a Cardeal de D. José da Costa Nunes, nosso ilustre conterrâneo.

 

«Comemorar» é «fazer memória». Ora bem, «fazer memória», biblicamente, não consiste apenas em recordar o passado, mas, sobretudo, em tornar presente o passado, com os seus valores.

 

Portanto, ao «comemorar» esta feliz efeméride, faço votos e peço ao Senhor que o ardor missionário do passado, de que a Ilha do Pico tanto se ufana, se renove no presente, com frutos tão preciosos, como foram os missionários do Oriente, de que D. José da Costa Nunes é, sem dúvida, figura de destaque, que tanto nos honra.

 

Ao dar graças a Deus, queremos empenhar-nos, cada vez mais, para que a Igreja de Cristo, no Pico, continue a merecer tão ilustres antepassados, com frutos visíveis e significativos no presente. Como transmitir o que não muda, num mundo em mudança? Só mudando. Não o Evangelho, que é o mesmo de sempre. Mas a nossa actuação pastoral e, sobretudo, a nossa vida.

 

É o apelo à conversão, que a Igreja nos faz ouvir de novo e com todo o vigor, neste tempo da Quaresma: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: mudem de vida e acreditem na Boa Nova» (Mc1, 14-15)!

 

+ António, Bispo de Angra

 

Ponta Delgada, 19 de Março de 2012.



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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Cinquentenário da elevação a Cardeal de D. José da Costa Nunes

Cinquentenário da elevação a Cardeal de D. José da Costa Nunes

Celebrado na Ouvidoria do Pico

 

Completa-se hoje, 19 de Março, o cinquentenário da elevação ao colégio cardinalício de Sua Eminência o Cardeal D. José da Costa Nunes.

A Ouvidoria do Pico celebra este aniversário com uma celebração eucarística de acção de graças na Igreja Paroquial da Candelária, terra natal deste ilustre purpurado, onde repousam os seus restos mortais, numa celebração presidida pelo Ouvidor Eclesiástico do Pico e concelebrada pelo clero da ilha.

D. José da Costa Nunes foi elevado à dignidade cardinalícia por Sua Santidade o Papa João XXIII, com o título de cardeal-presbítero de Santa Prisca, no dia do seu onomástico, São José, a 19 de Março de 1962, impondo-lhe o Papa o barrete cardinalício a 22 de Março daquele mesmo ano, aos 82 anos de idade.

O Cardeal Costa Nunes, filho maior da ilha do Pico, foi o primeiro açoriano a ser elevado ao cardinalato, sendo o único purpurado açoriano a exercer funções na Cúria Romana.

D. António de Sousa Braga, Bispo de Angra, associasse a esta efeméride endereçando uma mensagem que será lida na celebração desta noite.

D. José da Costa Nunes nasceu na freguesia da Candelária do Pico, a 15 de Março de 1880, foi Bispo de Macau, Patriarca das Índias Orientais e Vice-Carmelendo da Santa Sé, falecendo em Roma aos 96 anos de idade.

 

Brasão de Armas de Sua Eminência o Cardeal D. José da Costa Nunes

 

Cardeal D. José da Costa Nunes


 

Biografia


 

D. José da Costa Nunes nasceu na freguesia da Candelária, da ilha do Pico, a 15 de Março de 1880, filho de José da Costa Nunes e Francisca Felizarda de Castro. Depois de concluir os estudos primários na sua freguesia natal, realizou em 1892, no Liceu da Horta da vizinha ilha do Faial, o exame de admissão aos estudos liceais, sendo aprovado. Ingressou então no Seminário Episcopal de Angra (em 1893).

 

Durante o seu percurso como seminarista colaborou em jornais e revistas, usando múltiplos pseudónimos, revelando precocemente talento para a escrita e para a oratória. A sua obra posterior, nos múltiplos artigos jornalísticos, textos de conferência, pastorais, homilias e cartas que produziu, confirmam esta característica.

 

No Seminário Episcopal de Angra fez com brilhantismo os seus estudos, recebendo a 1 de Junho de 1901 a Prima Tonsura e Ordens Menores na Igreja de Nossa Senhora da Guia do antigo Convento de São Francisco de Angra, imóvel onde então funcionavam conjuntamente o Seminário e o Liceu de Angra do Heroísmo.

 

Em 1902, quando frequentava o último ano de Teologia do Seminário e se preparava para a ordenação, foi convidado pelo vice-reitor daquele estabelecimento e seu conterrâneo do Pico, Pe. Dr. João Paulino de Azevedo e Castro, então eleito bispo de Macau, a acompanhá-lo como seu secretário particular. Aceitou o convite e após a sagração de D. João Paulino, conferida em Angra pelo bispo cessante de Macau D. José Manuel de Carvalho, partiu na companhia do novo prelado, chegando a Macau a 4 de Junho de 1903.

 

Durante a viagem para Macau, acompanhou D. João Paulino nos seus contactos com as autoridades civis e eclesiásticas em Lisboa e Roma e visitou Bombaim e Singapura.

 

Chegado a Macau e feito o exame de Teologia no Seminário Diocesano de São José de Macau, foi ordenado presbítero, aos 23 anos, em 26 de Julho de 1903.

 

Em Macau desenvolveu actividades pastorais, foi professor no Seminário de S. José (1903 - 1906), Vigário Geral da Diocese de Macau e Timor (1906 - 1913), governador do bispado (1907) e fundador do jornal Oriente (1915). Por provisão de 6 de Maio de 1915 foi nomeado vice-reitor interino do Seminário.

 

Esteve nas missões de Malaca, Singapura e Timor (1911). Desenvolveu também actividades missionárias no Timor Português no período de 1913 a 1920.

 

Por morte de D. João Paulino, em sessão do cabido realizada a 22 de Fevereiro de 1918 foi eleito vigário capitular, cargo que exerceu até 16 de Dezembro de 1920, data do consistório secreto que o preconizou bispo da diocese de Macau.

 

A sua nomeação para prelado resultou do trabalho que desenvolveu como vigário capitular na recuperação das finanças e na reorganização interna da diocese de Macau.

 

No dia 16 de Dezembro de 1920 foi eleito Bispo de Macau, aos 40 anos de idade. A sua ordenação episcopal deu-se a 20 de Novembro de 1921, na Igreja Matriz da Horta, sendo sagrado por D. Manuel Damasceno da Costa (1867 - 1922), bispo de Angra.

 

O novo prelado fez entrada solene na sua sede diocesana a 4 de Junho de 1922, governando-a até 1940. O seu trabalho missionário na extensa diocese de Macau traduziu-se por um marcado crescimento do número de católicos, que de 29 628 em 1918 passou para 50 916 em 1940.

 

Também se dedicou à reorganização das estruturas pastorais ali existentes, entregando o Seminário à direcção espiritual dos Jesuítas e o Colégio de Santa Rosa de Lima às irmãs Franciscanas Missionárias de Maria. Fundou em Macau um colégio para rapazes chineses, através do qual introduziu a educação profissionalizante. Deve-se-lhe também a reparação de diversas igrejas que se encontravam arruinadas.

 

Na região do sudoeste da China que se encontrava sob a jurisdição da diocese de Macau, D. José da Costa Nunes procurou reavivar as missões católicas ali sedeadas e aumentar o número de missionários, e fazer crescer o número de igrejas, residências, escolas e obras de assistência.

 

No então Timor Português, ao tempo parte da diocese de Macau, reconheceu a crise que ali vivia a Igreja Católica, fundindo os dois vicariatos existentes e procurou melhorar a vida eclesiástica, religiosa, catequética e financeira. Para melhorar a educação religiosa, fundou uma escola de catequistas, que ministrava ensino equivalente ao 3.º ano dos liceus e habilitava os formados a leccionar a instrução primária. Também criou um colégio e uma escola de artes e ofícios.

 

Tendo em conta a distância entre Macau e Timor e as grandes diferenças culturais e pastorais entre ambos os territórios, solicitou à Santa Sé a elevação do vicariato de Díli a diocese, o que foi concedido por bula de 18 de Janeiro de 1941.

 

Nos territórios de Singapura e Malaca, também parte da diocese de Macau, intensificou a acção pastoral, dotando a igreja local de estruturas escolares próprias e fomentando o espírito missionário.

 

Em 11 de Dezembro de 1940, aos 60 anos de idade, foi nomeado pelo papa Pio XII para o lugar de arcebispo de Goa e Damão e titular de Cranganor, Primaz do Oriente, com o título de Patriarca das Índias Orientais. Partiu de Macau para a sua nova diocese a 25 de Novembro de 1941, possivelmente devido à Segunda Guerra Mundial, cujos efeitos já se sentiam em Macau.

 

Chegado à Índia, a 18 de Janeiro de 1942 tomou posse da Sé de Goa e iniciou a visita pastoral a toda a sua extensa arquidiocese, visitando-a toda, incluindo Damão, Nagar-Aveli e Diu.

 

Em Goa continuou o trabalho de modernização e de elevação intelectual das populações católicas que iniciara em Macau, ganhando grande projecção pública.

 

A 16 de Dezembro de 1953, foi oficializada a sua renúncia ao cargo de arcebispo de Goa e Damão, tendo nesse dia o papa Pio XII investido D. José da Costa Nunes nas dignidades de Arcebispo Titular de Odessa, conservando o título pessoal de Patriarca, e como vice-carmelengo da Cúria Romana, aos 73 anos de idade.

 

Entretanto, a 13 de Julho de 1953, a Santa Sé nomeara-o presidente da Comissão Permanente do Congresso Eucarístico Internacional, na Cúria Romana.

 

O papa João XXIII elevou-o a cardeal da Santa Igreja, com o título de cardeal-presbítero de Santa Prisca, no dia do seu onomástico, São José, a 19 de Março de 1962, impondo-lhe o barrete cardinalício a 22 de Março daquele mesmo ano, aos 82 anos de idade.

 

Participou no Concílio Vaticano II (1962-1965) e foi cardeal-eleitor no conclave de 1963 que elegeu o papa Paulo VI.

 

Em 1964 foi nomeado pelo Papa Paulo VI legado papal para as comemorações do IV Centenário das Missões da Companhia de Jesus em Macau e IV centenário da chegada dos primeiros missionários católicos a Macau. Durante a sua estadia em Macau como enviado papal recebeu foi homenageado pelos seus antigos diocesanos, que o proclamaram cidadão benemérito da cidade de Macau e descerraram o seu retrato no salão nobre do Leal Senado de Macau.

 

Em 1967, participou como Legado a latere do papa Paulo VI nas Festas Jubilares de Fátima, onde foi novamente homenageado.

 

A 30 de Agosto de 1970 inaugurou na freguesia da Candelária do Pico, o Patronato Infantil da Casa de São José, entregue às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. Foi o primeiro estabelecimento de educação pré-escolar da ilha do Pico e um dos primeiros dos Açores, tendo funcionado até 2005, ano em que encerrou por falta de crianças na zona que servia, tendo as irmãs criado um centro de acolhimento e o lar D. José da Costa Nunes, destinado a crianças e jovens. Para tal doou a sua própria casa, a qual hoje se encontra transformada em casa-museu, dedicada à sua memória.

 

Morreu em Roma no dia 29 de Dezembro de 1976, aos 96 anos e depois de 23 anos de serviço na cúria romana. O seu corpo foi sepultado no Cemitério de Campo Verano, Roma, e transferido posteriormente para a Igreja de Santo António dos Portugueses, também em Roma. A 27 de Junho de 1997 os restos mortais do Cardeal Costa Nunes foram solenemente trasladados para a igreja paroquial da Candelária, nos Açores.

 

A 3 de Junho de 1946 foi condecorado pelo governo português com a grã-cruz da Ordem do Império Colonial e a 22 de Julho de 1953 com a grã-cruz da Ordem de Cristo.

 

Em Macau, um jardim de infância de língua portuguesa, operado pela Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, tem como patrono este cardeal português e ex-bispo de Macau (Jardim de Infância de D. José da Costa Nunes). O mesmo acontece com o principal estabelecimento de ensino do seu concelho natal, a Escola Cardeal Costa Nunes na Madalena do Pico.

 

 

 

Cronobiografia


 

15 de Março de 1880 — Nasceu na Candelária, ilha do Pico, Açores.

19 de Março de 1880 — Baptizado na igreja paroquial da Candelária.

1 de Junho de 1901 — Recebeu a Prima Tonsura e Ordens Menores, na igreja do Convento de São Francisco de Angra.

23 de Março de 1902 — Partiu de Lisboa para Macau, como secretário particular do bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro.

4 de Junho de 1902 — Chegou a Macau.

19 de Julho de 1903 — Recebeu o Subdiaconado.

25 de Julho de 1903 — Recebeu o Diaconado.

26 de Julho de 1903 — Ordenado presbítero.

31 de Julho de 1903 — Celebrou a sua Missa Nova na igreja de Santo Agostinho de Macau.

6 de Junho de 1904 — Partiu para as Missões de Malaca e Singapura, como secretário de D. João Paulino.

2 de Setembro de 1904 — Regressou a Macau.

14 de Julho de 1906 — Nomeado vigário geral da Diocese de Macau.

3 de Abril de 1907 — Nomeado governador do Bispado de Macau.

22 de Fevereiro de 1918 — Eleito vigário capitular em sede vacante por morte de D. João Paulino.

23 de Novembro de 1920 — Nomeado Bispo de Macau.

20 de Novembro de 1921 — Recebeu a Sagração Episcopal na Igreja Matriz da Horta.

4 de Julho de 1922 — Fez entrada solene na sua diocese.

11 de Dezembro de 1940 — Nomeado pelo papa Pio XII para o cargo de Arcebispo da Sé Metropolitana, Primacial e Patriarcal de Goa, com os títulos de Arcebispo Metropolitano de Goa e Damão, Arcebispo Titular de Cranganor, Primaz do Oriente e Patriarca das Índias Orientais.

18 de Janeiro de 1942 — Tomou posse da Sé de Goa.

3 de Junho de 1946 — Condecorado pelo governo português com a grã-cruz da Ordem do Império.

22 de Julho de 1953 — Condecorado com a grã-cruz da Ordem de Cristo.

16 de Dezembro de 1953 — Resignou da arquidiocese de Goa e Damão e foi nomeado Arcebispo Titular de Odessa, com o título pessoal de Patriarca. Pouco depois é escolhido para desempenhar as funções de vice-camerlengo da Cúria Romana.

19 de Março de 1962 — Criado cardeal pelo papa João XXIII, com título de cardeal-presbítero de Santa Prisca.

10 de Novembro de 1964 — Enviado papal ao IV Centenário das Missões da Companhia de Jesus em Macau.

11 de Maio de 1967 – Delegado a latere do Santo Padre às festas jubilares de Fátima.

29 de Novembro de 1976 — Faleceu em Roma, depois de receber a visita e bênção do papa Paulo VI. As solenes exéquias foram na Basílica de São Pedro e o seu túmulo colocado na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma.

27 de Junho de 1997 — Os restos mortais foram solenemente trasladados para a igreja paroquial da Candelária, na ilha do Pico.


 



publicado por magdala às 16:01
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